A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta segunda-feira (16), a Operação Cronos, com o objetivo de desarticular um grupo investigado por furtos qualificados em propriedades rurais, principalmente de equipamentos elétricos utilizados em sistemas de irrigação.
Ao todo, são cumpridas 14 ordens judiciais, sendo oito mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva. As medidas foram autorizadas pela Justiça com base nas investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia de Vila Bela da Santíssima Trindade.
As ordens são cumpridas em endereços de Cuiabá, Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento. A ação conta com o apoio de equipes do Centro Integrado de Segurança e Cidadania (CISC) de Pontes e Lacerda, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol).
A Justiça também autorizou o afastamento do sigilo de dados telefônicos e telemáticos dos aparelhos eletrônicos apreendidos, com o objetivo de aprofundar as investigações.
Furtos de alto valor
As investigações foram iniciadas para apurar a atuação de um grupo suspeito de furtar motores elétricos, aparelhos soft start, inversores utilizados em sistemas de irrigação e grandes quantidades de cabos de cobre em propriedades rurais de Vila Bela da Santíssima Trindade.
Os materiais possuem alto valor econômico e são essenciais para o funcionamento das propriedades. Segundo a investigação, os crimes causaram prejuízo estimado em aproximadamente R$ 800 mil às vítimas.
O modo de atuação indicava que os suspeitos possuíam conhecimento técnico, especialmente para remover equipamentos elétricos de grande porte e cortar cabos de cobre conectados aos sistemas de irrigação.
Divisão de tarefas
Conforme a Polícia Civil, cada integrante teria uma função definida, desde a escolha dos alvos até o transporte e a comercialização dos materiais furtados.
Os elementos reunidos indicam que o grupo atuava de forma recorrente. Alguns investigados teriam confessado envolvimento em outros furtos cometidos em propriedades rurais de diferentes regiões de Mato Grosso.
Durante os interrogatórios, foram mencionadas ações em Campo Verde, Sorriso, Diamantino e Lucas do Rio Verde, além de um furto contra uma usina de placas solares no município de Nobres.
Monitoramento ajudou a identificar suspeitos
A investigação avançou a partir da análise de imagens de sistemas oficiais de videomonitoramento. As gravações permitiram reconstruir os trajetos realizados antes e depois dos crimes, identificar os veículos utilizados e acompanhar o deslocamento dos suspeitos.
Em algumas ações, os investigados teriam utilizado rotas alternativas para evitar a fiscalização policial no retorno à região de Cuiabá. Em um dos casos, três veículos foram identificados seguindo em comboio pela mesma rota, enquanto transportavam os materiais subtraídos.
As diligências também possibilitaram a recuperação de parte dos equipamentos furtados. Em uma abordagem realizada durante a investigação, foram localizados inversores de energia, aproximadamente 200 quilos de cabos de cobre e um reboque furtado, que estaria sendo utilizado no transporte dos materiais.
Objetivo das medidas
A Operação Cronos tem como objetivo reunir novas provas sobre os furtos, identificar outros possíveis envolvidos, localizar os equipamentos retirados das propriedades e verificar se os investigados possuem ligação com outros crimes registrados em Mato Grosso.
As buscas também poderão resultar na apreensão de materiais capazes de contribuir para o esclarecimento dos casos. A investigação permanece em andamento.
Origem do nome
O nome da operação faz referência a Cronos, ou Kronos, divindade da mitologia grega tradicionalmente associada à agricultura e à colheita. A escolha está relacionada ao contexto rural das propriedades onde os crimes teriam sido praticados.


