Brasil fecha 2025 com a menor taxa de desemprego em 14 anos
Fonte: Da Redação 30/01/2026 ás 16:24:15 1348 visualizações

A taxa média anual de desocupação do Brasil ficou em 5,6% em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. O índice recuou 1 ponto percentual em relação a 2024, quando estava em 6,6%.

Na comparação com 2019, ano anterior à pandemia de Covid-19, a queda foi ainda mais expressiva, de 6,2 pontos percentuais. Já em relação a 2012, quando a taxa era de 7,4%, o recuo foi de 1,8 ponto percentual.

No trimestre encerrado em dezembro, a taxa foi de 5,1%.

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Sobre o cenário de desemprego em patamares baixos, mesmo com juros elevados, Adriana Beringuy, analista do IBGE responsável pela PNAD, explica que o movimento reflete os efeitos distintos da política monetária sobre a economia.

“O efeito da taxa de juros não é uniforme. As atividades que mais ampliaram o emprego e o consumo não foram as mais dependentes de crédito”, afirma Beringuy.

Em outras palavras: a redução do desemprego no país se concentrou em setores menos sensíveis à alta da taxa de juros. A taxa de desemprego mostra que o mercado de trabalho segue forte e resistente, mesmo em um cenário de juros elevados no país.

Isso chama atenção porque a Selic está no maior patamar em cerca de 20 anos, a 15% ao ano. Em geral, juros altos encarecem o crédito, reduzem investimentos e levam as empresas a contratar menos, o que costuma esfriar a economia.

O fato de o emprego continuar aquecido, apesar desse aperto monetário, indica que a atividade econômica ainda mantém um ritmo elevado. Esse quadro ajuda a explicar por que as pressões sobre a inflação seguem no radar e reforça a postura de cautela do Banco Central na definição dos juros.

De acordo com a analista, não houve uma forte expansão do consumo de bens duráveis, como imóveis ou itens de maior valor, tradicionalmente mais afetados pelo custo do crédito.

“O que impulsionou a economia foi o crescimento da renda do trabalhador, e não o acesso ao crédito”, explica.

Esse avanço da renda, segundo Beringuy, ocorreu por diferentes canais. Um deles foi a expansão do emprego em atividades de serviços com maior nível de escolaridade e remuneração, como informação, comunicação, atividades financeiras, administrativas e o setor público.

Outro fator relevante, segundo Beringuy, foi o aumento do salário mínimo, que beneficiou trabalhadores de menor renda e com vínculos mais frágeis no mercado de trabalho.

Segundo a analista do IBGE, o cenário atual é resultado da combinação de vários fatores, que acabam “amortecendo o impacto dos juros elevados” sobre o emprego.

Com mais renda disponível, o consumo se concentrou principalmente em bens não duráveis e serviços, como alimentação, vestuário e serviços pessoais. Além disso, a analista destaca a melhora na qualidade da ocupação, com redução da subutilização da força de trabalho.

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