A 17ª edição da Festa da Banana Quilombola será realizada no dia 9 de agosto, a partir das 9h, na Comunidade Quilombola Ribeirão da Mutuca, em Nossa Senhora do Livramento (MT). Com entrada gratuita, o evento terá apresentações culturais, feira quilombola, artesanato, doces, licores e almoço preparado com alimentos produzidos pela própria comunidade.
Mais do que uma celebração, a festa resgata a cultura afro-brasileira das famílias que vivem na região, fortalece a identidade quilombola e mantém vivos os saberes transmitidos entre gerações. A expectativa é reunir entre 3 mil e 4 mil pessoas.
O almoço será servido gratuitamente até as 13h30. Conforme a organização, não será permitida a entrada de bebidas no espaço do evento.
A Festa da Banana Quilombola foi criada em 2009 diante da necessidade de preservar a história dos “papa-bananas”, como são tradicionalmente conhecidos os moradores de Nossa Senhora do Livramento.
“A Festa da Banana surge devido à necessidade de mantermos a história dos papa-bananas no município de Nossa Senhora do Livramento. Em 2009, criamos a festa como forma de valorizar a nossa cultura e também esse fruto, que muitas vezes é pouco valorizado pelas pessoas”, explicou.
Ao Primeira Página, Laura contou que o apelido dado aos moradores está relacionado à presença histórica da banana no município, onde o cultivo do fruto já foi mais expressivo.
Com o passar do tempo, essa produção começou a perder espaço em Nossa Senhora do Livramento. Nas comunidades quilombolas, no entanto, o cultivo permanece ligado ao cotidiano, à alimentação e à renda das famílias.
“Antigamente, havia muita banana na região, mas essa prática do cultivo começou a se perder de modo geral dentro do município, embora nós, quilombolas, ainda continuemos cultivando. Então nasceu o desejo de fazer uma festa para valorizar o fruto e, acima de tudo, a nossa tradição e a nossa cultura”, relatou.
A celebração também busca incentivar a continuidade do cultivo. Além de ser utilizada em diferentes pratos tradicionais, a banana integra a produção agrícola da comunidade e contribui para a renda de famílias do território.
Celebração mudou de data ao longo dos anos
A primeira Festa da Banana Quilombola foi realizada em setembro de 2009, durante o período do feriado da Independência do Brasil (7 de setembro). A comunidade, porém, percebeu que o mês não era o mais adequado devido à proximidade com a festa de Nossa Senhora do Livramento, tradicionalmente realizada em meados de setembro.
Em 2010, o evento passou a ocorrer no primeiro domingo de junho. Neste ano, a 17ª edição será realizada no dia 9 de agosto.
Segundo Laura, a celebração cresceu ao longo dos anos e se tornou um evento familiar e agregador, capaz de reunir moradores, visitantes e parceiros em torno da cultura quilombola.
“É uma festa bonita, agregadora, que reúne todas as pessoas nesse envolvimento. É uma festa bem familiar que, atualmente, recebe em torno de 3 mil a 4 mil pessoas”, contou ao Primeira Página.
Gastronomia produzida pela comunidade
Um dos principais momentos da programação é o almoço gratuito, preparado com base na gastronomia quilombola e nos alimentos cultivados pelos próprios moradores. A banana, símbolo da celebração, também está presente nas receitas.
“A gastronomia quilombola parte daquilo que nós produzimos na roça, e a banana não pode faltar”, destacou Laura.
Além do almoço, a programação contará com feira quilombola, apresentações culturais, artesanatos, doces e licores. Conforme a organizadora, todas as atividades são idealizadas e realizadas pela própria comunidade.
A festa também atrai visitantes e parceiros que vão até Ribeirão da Mutuca para conhecer e celebrar as tradições e a diversidade do território quilombola.
Resistência e preservação da identidade
Para os moradores, a Festa da Banana representa mais do que um encontro cultural e gastronômico. A celebração também funciona como um ato de resistência e de preservação da identidade dos “papa-bananas” em Nossa Senhora do Livramento.
“É uma festa grandiosa que tem nos possibilitado, principalmente, um ato de resistência, presença e preservação da nossa identidade, além dessa alegria que é compartilhada com todos e todas”, afirmou Laura ao Primeira Página.
A organizadora ressaltou ainda que a banana possui importância cultural, alimentar e medicinal dentro do território. Por isso, manter o cultivo e a celebração significa preservar conhecimentos que fazem parte da história da comunidade.
“Para nós, é muito importante manter viva essa festividade e a nossa identidade de “papa-banana”. Entendemos que a banana não apenas nos alimenta e nos nutre, mas também pode ser utilizada de várias formas, desde a alimentação até o uso medicinal. Ela é muito benéfica para o nosso território, para a nossa comunidade e para o nosso município”, concluiu.


