O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a regularidade de um pedido de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) em área de interesse da Comunidade Quilombola Mata Cavalo, localizado em Nossa Senhora do Livramento (a 42 km de Cuiabá). A medida foi formalizada nesta sexta-feira (31.07), assinada pelo procurador da República Ricardo Pael Ardenghi.
A investigação tem como foco o pedido da Cooperativa de Extração Mineral de Mato Grosso, que envolve atividade minerária em área onde está localizado o chamado Cemitério Centenário, considerado de relevância histórica, cultural e comunitária para os moradores da região.
Segundo o procurador, o caso vinha sendo acompanhado pelo MPF por meio do procedimento preparatório aberto em 2025. Com o encerramento do prazo legal dessa fase preliminar e a existência de diligências ainda pendentes, o órgão decidiu converter a apuração em inquérito civil.
Entre os fatos apontados pelo MPF está a suspensão, pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT), da Licença de Instalação autorizada em 2024 até que seja comprovada a realização da Consulta Prévia, Livre e Informada junto à Comunidade Quilombola Mata Cavalo de Baixo.
Diligências pendentes
O procurador Ricardo Pael destaca que ainda não foram concluídas medidas consideradas essenciais para a análise do caso.
Uma delas é a realização de perícia antropológica destinada a verificar se houve plena compreensão dos termos de um contrato firmado entre integrantes da comunidade e a cooperativa minerária, além de apurar se o documento efetivamente reflete a vontade coletiva dos quilombolas.
Também permanece pendente uma vistoria técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Mato Grosso para identificar e delimitar o Cemitério Centenário como sítio arqueológico e cultural.
Além disso, o MPF aguarda manifestação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para esclarecer se o local está formalmente registrado no Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) da Comunidade Mata Cavalo.
Outra providência solicitada é a inclusão, no Cadastro Mineiro, da informação sobre a existência de interesse quilombola e de patrimônio histórico-cultural na área abrangida pelo pedido de lavra.
Objetivo da investigação
Conforme o procurador, o inquérito civil buscará apurar se o requerimento de Permissão de Lavra Garimpeira foi apresentado sem a realização da Consulta Prévia, Livre e Informada à comunidade quilombola potencialmente afetada, além de verificar a necessidade de proteção do Cemitério Centenário como patrimônio arqueológico e cultural.
Poconé esta acabando com o garimpo. A comunidade boi de carro já está só resquício de remanescente quilombola. O piranema, rio que alimentou o povo poconeano até final da década de 80, está totalmente poluído pelos dejetos da atividade garimpeira. Cadê os vereadores e ambientalistas de Pocone? Cadê o MP? Será que esperarão o cerrado poconeano e o pantanal desaparecerem para que tomem alguma atitude? Dexemos de ser hipocritas e vamos denunciar para que a atividade garimpeira não supere a importância da flora e fauna da nossa cidade.


