O deputado federal José Medeiros (PL) voltou a criticar duramente o governo Lula (PT) após a Polícia Federal deflagrar a Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. Para o parlamentar, o Palácio do Planalto tenta mais uma vez desviar o foco e culpar gestões anteriores por um rombo que cresceu justamente durante o atual mandato.
“O escândalo estoura no terceiro ano do governo e eles querem culpar o governo passado? É só olhar os gráficos a partir de 2023. Os descontos para sindicatos e associações explodiram em 64%. Esses desvios foram feitos já na administração Lula. Todo mundo sabe o que o ex-presidente Bolsonaro pensava sobre esse desconto", disparou Medeiros.
O parlamentar ainda afirmou que o governo foi avisado e ignorou as denúncias. “A PF teve acesso a atas de reuniões de junho de 2023 que registram que o ministro do Lula foi alertado sobre o aumento das irregularidades nos descontos feitos por sindicatos em aposentadorias. Naquela época, já havia muitas denúncias, mas nada foi feito", completou.
Diante da pressão, o ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), entregou o cargo nessa sexta-feira (2). Em carta publicada nas redes sociais, Lupi disse que deixa o comando do ministério com “a certeza de que não foi citado em nenhum momento nas investigações”. No entanto, pesa contra ele o fato de ter sido alertado ainda em 2023 sobre as fraudes e não ter tomado providências. O esquema pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas.
A operação da PF e da CGU revelou que associações vinham cadastrando aposentados sem autorização, usando até assinaturas falsas, para aplicar descontos ilegais nos benefícios pagos pelo INSS. Além do rombo, a operação apreendeu itens de luxo, como uma Ferrari, joias, dinheiro em espécie e relógios de alto valor.
Para Medeiros, o escândalo mostra a verdadeira face do atual governo. “No início do seu governo, Bolsonaro enviou uma medida provisória para a Câmara proibindo o desconto em folha para sindicatos e associações, a fim de combater fraudes. Pois bem, sabe quem derrubou essa medida? Ela caducou, não virou lei, graças ao time do PT. Lula não só reviveu a prática como turbinou os repasses aos sindicatos, os que são base histórica do seu partido. O resultado? O roubo triplicou”, afirmou.
Além disso, Medeiros lembrou que um dos sindicatos investigados tem ligação direta com a família do presidente: o irmão de Lula, Frei Chico, é diretor do Sindicato Nacional dos Aposentados, um dos alvos da PF.
Com a saída de Lupi, o presidente Lula convidou o ex-deputado federal Wolney Queiroz (PDT) para assumir o comando do Ministério da Previdência. Queiroz era o número 2 da pasta. Ele foi deputado por seis mandatos, é filiado ao PDT e, em 2022, atuou como líder da oposição ao governo Bolsonaro na Câmara.
A PF segue investigando o principal operador do esquema, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ele é apontado como sócio de 22 empresas, todas registradas em um mesmo endereço em Taguatinga, no Distrito Federal. Seis pessoas já foram presas, e outros cinco servidores públicos foram afastados. O então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, também foi demitido.
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