POLÍTICA ▸ CPI NA CÂMARA

Vereadores arrolam autoridades em MT e tentam atrasar CPI na Câmara Municipal de Poconé

Com intuito de atrasar os trabalhos da comissão de investigação e processante instaurada na Câmara Municipal de Poconé, onde investiga uma suposta quebra de decoro, os vereadores Ademir Zulli e Camila Barbosa planejaram arrolar como testemunhas de defesas várias autoridades no estado de Mato Grosso.

A manobra dos parlamentares foi tão escancarada, que uma das testemunhas arroladas pelos vereadores, foi confundida como sendo atual chefe do Poder Judiciário de Mato Grosso. O desembargador Rubens de Oliveira (mencionado erroneamente na citação como presidente do TJ), presidiu o tribunal há cerca de 7 anos atrás (biênio 2011/2013). 

Além do desembargador, foi arrolado como testemunha de defesa dos vereadores,o governador Mauro Mendes; o procurador-geral de Justiça do Estado, José Antonio Borges; o presidente do TCE, conselheiro Guilherme Maluf; o conselheiro interino João Batista e o procurador de Contas, Getúlio Velasco. Apesar da citação, nenhum deles é obrigado a comparecer para prestar depoimento. 

O Caso:

A Comissão processante foi instalada na Câmara de Poconé (distante 100km de Cuiabá) para investigar a atitude da vereadora Camila Silva, que faz parte da oposição do prefeito Tata Amaral (DEM) e teria usado a tribuna para fazer acusações contra a administração pública e contra seu próprio aliado, antigo presidente do Parlamento municipal, vereador Ademir Zulli (PTB). 

Segundo Camila Silva, Ademir era presidente da Câmara de Poconé e "fazia pressão" para que ela aprovasse projetos que não condiziam com o que ela tinha em mente para melhorias e evolução da cidade pantaneira. 

"Por conta da fala da Camila, ela colocou o Ademir como uma pessoa que insistia em pressionar pelo voto durante as sessões. E isso tirava o sono dela, ia contra a política dela e por conta disso vamos investigar as acusações dela e a participação de Ademir nessa questão de fazer pressão", disse o relator, vereador Itamar. 

No documento de abertura da CPI, a pedido do vereador Juarez Arruda (PV), consta que Camila quebrou o decoro parlamentar ao ofender colegas o chamando de corruptos durante a sessão na Câmara Municipal de Poconé. 

Na justificativa do pedido de abertura, o vereador Juarez ressaltou: "como parlamentar devemos entender que é crime de falta de decoro praticar ofensas físicas ou morais nas dependências da Câmara ou desacatar, por atos ou palavras, outro parlamentar, a Mesa ou comissão, ou os respectivos presidentes. Atitudes como essas devem ser investigadas, tanto quanto a possibilidade de invasão de poderes dentro do parlamento, a possibilidade de desvio de conduta de autoridades bem como a produção e distribuição de material difamatório sobre a Câmara Municipal dos Vereadores e seus parlamentares”.

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