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Uma das manhãs mais tristes da minha vida, diz presidente da OAB-MT após soltura em Cuiabá

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso, Leonardo Pio da Silva Campos, afirmou que a sua esposa, a também advogada Luciana Póvoas, estava alterada e discutia com o filho do casal nesta quarta-feira (27), em Cuiabá, quando ocorreu a confusão que terminou em sua prisão. Em nota e áudio compartilhado nas redes sociais, Campos negou ter agredido a esposa.

O presidente da Ordem afirmou que o filho teria informado que a mãe estava agressiva e pediu para que o pai fosse até a casa. Após chegar no apartamento, Leonardo relatou que Luciana estava discutindo com o garoto e, em seguida, a agressão verbal voltou contra si.

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Ele relatou que disse a esposa que não iria discutir nenhum assunto naquele momento, devido ao estado de nervosismo dela. "Ela estava alterada e naquele momento eu disse que não iria discutir nenhum assunto com ela. Quando eu fui em direção ao meu quarto, eu fui empurrado pelas costas pela Luciana e disse que eu não admitia essa situação", contou.

O presidente da OAB afirmou que repudia qualquer tipo de agressão contra as mulheres e negou que tenha empurrado a mulher. Ele informou ainda que durante o depoimento no Cisc Verdão, a própria esposa negou as supostas agressões. "Quem me conhece sabe que sou defensor e repudio qualquer forma de agressão às mulheres. Ela prestou o depoimento assistida pela presidente do Conselho Estadual de Defesa da Mulher e também afirmou que não houve agressão", diz a nota.

Em seguida, o filho do casal teria tentado apartar a briga e afirmou que iria chamar a Polícia Militar. Leonardo relatou ainda que partiu dele o pedido de medida protetiva para que a família tenha segurança.

Um pedido para a Ordem de Advogados do Brasil (OAB) será encaminhado para que a Comissão de Direito da Mulher acompanhe o caso e apure a conduta do presidente. "Classifico esta manhã como uma das mais tristes da minha vida e espero que todos respeitem este momento de reserva familiar", pede.

SOLTURA

Leonardo Campos foi colocado em liberdade na manhã de hoje por decisão do juiz Jamilson Haddad, da Vara de Violência Doméstica de Cuiabá. O magistrado alegou que os fatos narrados nos autos da prisão em flagrante apontam que o advogado não representa risco a vítima ou testemunhas do caso. “Assim, tenho que o indiciado não se apresenta, neste momento, como um risco para sociedade, motivo pelo qual não se verifica qualquer outra situação que possa justificar a prisão cautelar do mesmo, de modo que se impõe que seja concedido o benefício da liberdade provisória”, disse o magistrado.

Na decisão, o juiz estipula que o presidente da OAB deve ficar distante 500 metros da esposa e de familiares dela. A medida também vale para testemunhas da agressão. Leonardo Campos ainda está proibido de manter contato com a esposa ou seus familiares por qualquer meio de comunicação. Também está proibido de ir ao local de trabalho dela.

NOTA PÚBLICA

Em primeiro lugar, quero reafirmar meu profundo respeito e zelo pelas políticas afirmativas dos direitos das mulheres. E tenho atuado firmemente em todas as ações da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso. 

Quem me conhece sabe que sou defensor e repudio qualquer forma de agressão às mulheres. Combato e repudio a violência doméstica.

Temente a Deus, cumpridor da lei e tendo como principal preocupação neste momento a minha família, necessito restabelecer a verdade e dizer o que realmente aconteceu:

Não houve agressão. Jamais agrediria minha esposa, mulher que respeito.

Em verdade, houve um desentendimento e uma discussão que envolveu inclusive o meu filho. Mas eu disse que aquela situação, de discussão acalorada, era inaceitável e fui para o quarto. Neste momento, ela me empurrou e eu tentei fechar a porta para não prolongar a discussão. 

Neste momento, ela disse que chamaria a polícia. Eu disse para ela fazer isso sim. Pois seria a oportunidade de ela, eu e meu filho darmos a nossa versão dos fatos. 

Na delegacia, ela prestou o depoimento assistida pela presidente do Conselho Estadual de Defesa da Mulher e também afirmou – está registrado em Boletim de Ocorrência – que não houve agressão. Tanto que não houve sequer necessidade do exame de corpo de delito.

Quando fui ouvido, eu mesmo solicitei que fossem fixadas medidas protetivas para que os fatos sejam apurados de forma imparcial e com a devida segurança. Diante dos fatos, foi-me concedida de forma imediata a ordem de soltura.

Agora, vou protocolizar junto à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso toda esta documentação e solicitar que apurem a minha conduta e pedir que a Comissão do Direito da Mulher acompanhe todos os passos do processo, de forma clara e transparente.

Classifico esta manhã como uma das mais tristes da minha vida e espero que todos respeitem este momento de reserva familiar.

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