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Site revela que senadora de MT é chantageada para manter mandato

Tida como das principais defensoras do presidente Jair Bolsonaro (PSL), a senadora cassada Selma Arruda (PSL) está sendo fortemente pressionada a retirar seu apoio à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria o judiciário, a chamada CPI da Lava Toga, no Senado. A informação é do site O Antagonista na tarde desta segunda-feira (09).

Segundo o veículo, no caso da mato-grossense, a ameaça é de que caso ela se recuse a retirar sua assinatura e apoio à CPI, terá sua cassação de mandato confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico e composição e manutenção de caixa dois. A informação sobre pressão aos parlamentares partiu do senador gaúcho Alessandro Vieira (Cidadania), autor do pedido de abertura da comissão.

“Colegas estão sendo pressionados a retirar o apoio à instalação da comissão. Ele não quer citar nomes, mas apuramos que a senadora Juíza Selma, do PSL, foi informada de que, se não retirar sua assinatura, poderá ter a cassação do seu mandato confirmada pelo TSE”, consta em trecho da nota d’O Antagonista.

Está nas mãos dos ministros do TSE decidir neste ou no próximo ano se mantêm ou reformam a sentença proferida em unanimidade pelo pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso, em abril deste 2019 e contra a qual a ex-juíza da Sétima Vara Criminal da Comarca de Cuiabá interpôs diversos recursos tanto em primeira instância (todos já derrubados e com pena de convocação de novas eleições confirmada em julho) quanto nas superiores.

Desde então, há informações de bastidores de toda sorte tanto na capital, onde ela recebeu maioria dos votos que a elegeram, quanto em Brasília sobre intensas movimentações no judiciário e entre políticos para derrubar ou manter no cargo a hoje nacionalmente conhecida magistrada conhecida como Moro de Saias.

No meio de tudo isso, ganharam força rumores de uma saída conturbada do PSL e informações de fontes em Brasília de que o motivo do desentendimento é que ela estaria se sentindo desprestigiada e traída, pois o partido do presidente Bolsonaro não mais estaria disposto a apoiá-la no TSE.

A informação da fonte é que o rumo da “senadora do Bolsonaro” (outro slogan usado por ela durante a campanha) teria acertado com o Podemos, de outro defensor do presidente, José Medeiros. O deputado federal teria garantido que o Podemos auxiliará a magistrada aposentada na defesa do seu mandato.

APELIDOS E VITÓRIA ACACHAPANTE

Selma Arruda conseguiu projeção em todo o país por conta da linha dura com que aplicava a lei contra diversos caciques locais envolvidos em casos de corrupção, improbidade e desvio de dinheiro público na ordem de milhões de reais. Estão incluídos na lista graúdos como o ex-governador Silval Barbosa e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Geraldo Riva, ambos condenados em regime fechado, mas já cumprindo suas penas em aberto e semiaberto após ficarem quase dois anos encarcerados.

Muito da responsabilidade pelo feito sempre foi atribuída às supostas convicções de Selma Rosane de Arruda, constantemente demonstradas em posts em mídias sociais e entrevistas. É também o motivo de ela ser acusada de midiática e de buscar holofotes com o tom implacável do discurso anticorrupção e, claro, de jogar pra plateias inflamadas do Brasil polarizado.

Em outra matéria d’O Antagonista, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), também teria sido apontado como um dos autores das "pressões de todo tipo” sobre os colegas para que estes abandonem a ideia de uma CPI que visasse juízes, desembargadores e ministros do judiciário.

“O trabalho de pressão está muito grande. A gente sabe que vários colegas estão recebendo todo tipo de pressão, mas não vamos citar nomes, vamos deixar que cada um deles se manifeste, para não aumentar o constrangimento”, teria dito Vieira à publicação.

Selma Arruda também é famosa por ter sido eleita com o maior número de votos disparado - mais de 670 mil votos - na última eleição e por ser mal relacionada com seus ex-colegas de judiciário. Antes e depois da decisão unânime do TRE, ela não poupou seus antigos pares de acusações de que estariam sendo influenciados por condenados seus.

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