POLÍTICA ▸ CPI DA PANDEMIA

Senador afirma que empresário cuiabano é chefe da lavanderia de dinheiro de medicamentos covid

Durante a oitiva do empresário cuiabano Danilo Trento à CPI da da Pandemia nesta quinta-feira (23), o vice-presidente da CPI da Covid-19, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que o depoente atuou como “chefe da lavanderia de dinheiro” da Precisa Medicamentos, empresa que intermedidou a venda da vacina indiana Covaxin ao Ministério da Saúde.

Os senadores apresentaram fluxogramas de diversas empresas de Francisco Maximiano, dono da Precisa, e de Danilo Trento, que fariam transferências entre si, apontando possível esquema de lavagem de dinheiro.

Segundo Renan Calheiros (MDB- AL), uma das empresas, a Berlim, recebeu R$ 4,7 milhões e transferiu R$ 5,6 milhões à Primarcial. O mesmo acontecia com a empresa 6M, de Maximiano, que transferiu R$ 15,9 milhões e recebeu R$ 11,7 milhões da Primarcial.

O fluxograma, na qual também aparece a empresa X Internet, entre outras, é uma forte característica de lavagem de dinheiro, segundo o senador Randolfe, o qual apontou transferência de recursos para o estado de Wyoming (EUA), onde teria facilidades fiscais.

“É por ele que passam todos os recursos que vêm de uma empresa dele e que são destinadas ou terceirizadas para outras empresas. Temos fortes indícios de lavagem de dinheiro”, explicou Randolfe.

Randolfe destacou ainda que o rastro do dinheiro movimentado por Trento e pela empresa leva até panificadoras e empresas investigadas pela Polícia Federal por tráfico de drogas.

“Nos chama atenção o caminho do dinheiro. Temos informações de que os valores foram usados para compras de joias ou de Rolex [relógio de luxo] em duas joalherias, uma em São Paulo e outra em Curitiba (PR)”, continuou o vice-presidente da CPI.

Garantindo-se de um habeas corpus para não responder a maior parte das perguntas a ele direcionadas, Trento calou-se sobre outras empresas em que teria atuação, se é remunerado ou tem ganhos societários, sobre sua participação na 6M Participações, assim como a Precisa, também de propriedade de Francisco Maximiano.

"Como diretor institucional da Precisa Medicamentos, não participo das negociações" limitou-se a responder o depoente ao negar saber que parcela em valores do contrato, na importação da vacina Covaxin para venda ao Ministério da Saúde, caberia à Precisa.

Mais cara entre todas as vacinas analisadas pelo governo, a indiana Covaxin foi negociada ao preço de US$ 15 a dose, totalizando R$ 1,6 bilhão, para 20 milhões de doses.

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