POLÍTICA ▸ IRONIZA

Se fosse um deputado, vereador ou prefeito ja tinha gente presa

O suposto uso de notas frias pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pode ser um dos mootivos a levarem a Assembleia Legislativa a abrir, nos próximos dias uma CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito- para investigar grampos ilegais praticados por promotores do Ministério Público do Estado. Sinalização nesse sentido partiu da deputada Janaina Riva (MDB). Para que seja aberta uma CPI no parlamento estadual são necessárias oito assinaturas (1/3 do total de parlamentares).

Porém, antes mesmo de trabalhar a coleta de assinaturas, Janaina Riva está pedindo que a Assembleia “convide” o Procurador-Geral de Justiça de Mato Grosso, José Antonio Borges, para dar explicações aos deputados, quanto às revelações feitas, na terça-feira e nesta quarta (16 e 17) em depoimentos, pelos militares que tiveram seus nomes envolvidos  no esquema criminoso de interceptações telefônicas, conhecido como “Grampolândia Pantaneira”. Depuseram os coronèis Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco, além do Cabo Gerson Correa.


Esses depoimentos  serviram de munições à deputada que,  da tribuna da Assembleia,  na noite de terça-feira, as disparou contra o Ministério Público Estadual. A parlamentar, vice-presidente da Casa de Leis, quer que Borges, dê explicações especialmente quanto ao que disse  (reafirmou) em juízo, o Cel. Lesco, sobre as  escutas clandestinas, usando o sistema “barriga de aluguel”. Teria sido dessa forma que o MPE decidiu “grampear” a deputada, para assim, tentar prender José Geraldo Riva, pai dela  e ex-presidente da Assembleia Legislativa.

Segundo Lesco, na Operação Metástase ”eles queriam saber se ela continuava fazendo as coisas  que José Riva  fazia”.

Ao reafirmar que o ex-governador Pedro Taques é um dos “donos” do esquema criminoso, Lesco  disse categoricamente que o MP tinha interesse em grampear a parlamentar, tanto que ela foi “ouvida”  ilegalmente.

“De forma vergonhosa vimos que o Ministério Público patrocinou equipamentos para grampear políticos...a Polícia Militar, por orientação dos promotores, acatou os pedidos de ‘barrigas de aluguéis’, grampeando deputados, inclusive eu e não tivemos, até hoje, acesso ao número exato de pessoas que foram grampeadas. Depois de algum tempo, a gente começa a ver justiça nessa situação dos grampos”, discursou Janaina, também enfatizando que considera gravíssimas as revelações quanto ao suposto uso de notas frias pelo  MP (Gaeco), tal como denunciou o Cabo Gerson ao juiz Marcos Faleiros. Pela denúncia, o Gaeco fez uso indevido e desvio de finalidade  de uma verba destinada exclusivamente para ser investida em custos de investigações.

cabo gerson correa pm
 Gerson Correa: Notas fraudulentas no Gaeco

“Fiquei imaginando: se isso fosse dentro da Assembleia, ia estar cheio de policiais aqui, levando os servidores, com pedido de afastamento do deputado , sem querer saber se esse parlamentar tinha alguma relação com aquele servidor ou não. Quando se trata de Assembleia, prefeitos, vereadores, primeiro afasta ou prende e só depois avalia se tem procedência ou não”, comparou Janaina, insistindo que “temos que saber quem assinou essas notas frias, pois as notas existem”.

Na forma mais direta, a parlamentar quer tratamento igual, quanto aos critérios para investigação, a se basear pela forma que o MPE, especialmente via Gaeco, vem atuando ao longo dos anos  em Mato Grosso.

“O que que vai acontecer com eles [promotores]?, vão ser presos igual a deputados, igual a vereadores e  prefeitos?” indagou.

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