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Prefeito defende lockdown e chora ao falar da morte do pai e do irmão

O prefeito Márcio Melo Gomes (Republicanos), de Mongaguá, no litoral de São Paulo, se emocionou em uma transmissão ao vivo ao falar da perda do pai e do irmão, na mesma semana, por complicações da Covid-19. A família atuava na área do comércio no município. O prefeito disse que preferia que eles tivessem falido por seguir as medidas de restrições do que perdido a vida para a doença.

A declaração foi dada ao final da transmissão, realizada nesta terça-feira (30), para informar a população sobre o avanço da pandemia na cidade. Márcio chegou a criticar a falta de consciência de parte da população, que não têm respeitado as medidas restritivas neste período de isolamento social e pedido pela reabertura do comércio.

Ele respondeu aos comentários negativos, feitos pelas redes sociais, contra as regras em vigor. "Vi algumas pessoas, ligadas à academia e ao comércio, dizendo que 'o prefeito quer fechar o comércio', que 'o prefeito quer quebrar a cidade'", disse. "Em todo esse um ano, tudo o que eu pude fazer para conciliar as duas coisas, para proteger o cidadão de Mongaguá e o comércio tentar sobreviver, vocês podem dizer que eu fiz o máximo do que eu pude."

O prefeito perdeu o pai e o irmão para a Covid-19. O pai dele, Givaldo Alves Gomes, de 64 anos, estava internado no Hospital Regional Jorge Rossmann, em Itanhaém, com cerca de 80% dos pulmões comprometidos e morreu no dia 22 de março.

Já o irmão dele, Givaldo Melo Gomes Junior, conhecido como "Cabecinha Junior", tinha 33 anos e já havia testado positivo enquanto o pai estava internado. Ele apresentou piora, foi internado na Santa Casa de Santos e morreu na madrugada de domingo (28).

"Quero dizer para cada um de vocês que, como eu queria hoje, com a minha família inteira sendo do comércio [...] sair dessa live e escutar do meu pai e do meu irmão assim: 'Eu quebrei, o meu comércio quebrou'. Sabe por quê? Porque nós já quebramos, e com a vida nós conseguimos dar a volta por cima", desabafou.

Na transmissão ao vivo, ele continuou o desabafo. "Infelizmente, por essa doença, eles perderam a vida. E não há nada mais precioso que a vida de vocês, mas principalmente, a vida de quem vocês amam", disse, emocionado.

'Lockdown' em vigor
Desde o dia 23 deste mês, está em vigor uma nova série de medidas restritivas de funcionamento de diversas áreas do comércio, para evitar a vinda de turistas para a região durante o "feriadão" da capital paulista e frear o avanço da pandemia na região.

As regras, definidas como lockdown pelo Conselho de Desenvolvimento Metropolitano da Baixada Santista (Condesb), seguem até o dia 4 de abril. Aqueles que não respeitarem as determinações podem pagar multa.

Supermercados funcionam somente de segunda a sexta até às 20h. Feiras livres, obras, hotéis, pensões e imóveis de temporada não podem funcionar. A circulação de pessoas e carros serão permitidas com a apresentação de documentos. Em algumas cidades, a circulação de ônibus também foi restrita, a exemplo de Santos. As praias continuam fechadas.

Algumas regras valem para todas as cidades da Baixada Santista, já outras medidas foram implantadas em cada cidade, seguindo os decretos municipais.

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