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Preço da carne continua a subir no atacado e varejo no estado de Mato Grosso

Preço da carne continua a subir no atacado e varejo em Mato Grosso. Em plena Quaresma, quase a metade dos principais cortes bovinos encareceram até 4% para o consumidor final, de fevereiro para março. Nos frigoríficos, a alta mensal chega a 1,8%. Em comparação com março de 2019, o preço médio da proteína animal está atualmente 33,2% mais elevado nos açougues. Majoração que espelha a valorização da arroba do gado. Ao pagar mais caro pelo produto, os frigoríficos repassaram reajuste acumulado de até 34,2% para o varejo, nos últimos 12 meses.

O comportamento dos preços em toda a cadeia da bovinocultura de corte é monitorado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), que aponta que em Cuiabá as famílias gastaram R$ 173 no último mês para incluir a carne nas refeições. É o item que mais pesa no custo da cesta básica, com participação de 34% no valor total. A sobrecarga no orçamento doméstico com os sucessivos aumentos dos preços dos alimentos leva a aposentada Ana Rita de Campos, 65, a fazer manobras para tentar gastar menos. “Fico de olho nas promoções. Na compra da carne, por exemplo, prefiro os cortes de 2ª, que preparo no almoço, mas não todos os dias”, explica. Para ela, a carne continua muito cara.

Na capital mato-grossense cada família consome cerca de 6,6 kg do alimento, segundo o Instituto. Em comparação com a média de gastos dos cuiabanos em fevereiro de 2019 (R$ 141,80) para garantir à mesa a proteína animal, o desembolso aumentou 22%. Proprietário de açougue na cidade, Daniel Alves de Souza diz que o consumo de carne bovina recuou em torno de 30% de dezembro para janeiro e ainda não houve recuperação da queda. Ao contrário. Desde o Carnaval e início da Quaresma, a procura pela proteína diminuiu ainda mais, expõe o comerciante.

Apesar disso, os preços do alimento retomam a escalada verificada no final do ano passado, quando a cotação da arroba do gado registrou recorde em Mato Grosso. “Está havendo aumento nos frigoríficos, mas nem todos repassaram ainda para o varejo”, relata. A previsão é que isso mude em breve. “Tenho fornecedor que diz que na próxima compra a carne vai chegar mais cara, porque os pecuaristas estão segurando o gado e a arroba voltou a subir”, explica. Informações parecidas são repassadas pelo comerciante Elvis Martins. No estabelecimento dele, a demanda por carne bovina caiu entre 10% e 20% nos últimos 25 dias. “Ainda não conseguimos aumentar preço, mas alguns concorrentes reajustaram”, afirma. Outro empresário do ramo, Lamonnyel Vieira de Moraes confirma que existe um movimento significativo de alta no mercado, devido a valorização da arroba do gado e aumento de preços no atacado. “Subiu 15% do início de fevereiro até agora”, calcula. “Por enquanto, estamos mantendo as vendas e os preços, mas a tendência é de reajuste em breve”, conclui.

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