POLÍCIA ▸ MORTE

Policia Civil diz que garota foi envenenada com inseticida vendido no mercado negro

Inseticida de venda proibida no Brasil, o carbofurano foi o produto usado para envenenar a garota de 11 anos de idade, que morreu em junho deste ano.

A informação foi confirmada nesta segunda-feira (9) pelo delegado Wagner Bassi, da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica), um dos responsáveis pela investigação do caso.

Foi a Deddica quem prendeu J.G.A., a madrasta da garota, na manhã de segunda-feira (9). A mulher é acusada de tê-la envenenado a conta-gotas, durante dois meses.

O carbofurano é um produto extremamente tóxico, usado no tratamento de sementes ou em aplicações no solo, para evitar o ataque de pragas em lavouras.

O produto pode causar sudorese, salivação excessiva, náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia. Dependendo da dosagem, pode ainda levar à insuficiência respiratória, arritmias cardíacas e à morte.

“Essas investigações foram todas feitas com base em laudos periciais. A DHPP [Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa] fez uma sequência de exames. Tudo foi muito detalhado pela Politec e conclui-se que a morte se deu por envenenamento. O exame toxicológico comprova o envenenamento pelo inseticida”, disse Bassi em coletiva à imprensa.

“Esse produto tem venda proibida no Brasil, mas se consegue comprar no mercado negro, conforme as investigações apontaram”, acrescentou o delegado.

Segundo ele, as investigações ainda prosseguem e devem apontar em quais alimentos ou bebidas o carbofurano era colocado .

O que se sabe até o momento é que os envenenamentos foram feitos “a conta contas”, ao longo de dois meses, de modo que as causas da morte da menina não fossem reveladas.

Ainda conforme o delegado Wagner Bassi, foram apreendidos o computador e o celular da madrasta da criança para que seja feita perícia.

“Podemos adiantar que foi um crime muito bem premeditado, muito bem elaborado. Vamos periciar os equipamentos agora, para saber os ‘estudos’ que a madrasta fez”, disse ele.

Entenda o caso

No dia 14 de junho, a criança morreu de causa até então indeterminada. Ela deu entrada em um hospital particular já em óbito.

Inicialmente, houve suspeita de meningite, bem como de abuso sexual, pois havia inchaço na genitália. Mas a necropsia do Instituto de Medicina Legal (IML), da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), descartou o estupro.

Nos exames realizados pelo Laboratório Forense, mediante Pesquisa Toxicológica Geral, foram detectados no sangue da vítima duas substâncias, sendo uma delas um veneno que provoca intoxicação crônica ou aguda e a morte.

Segundo os delegados Francisco Kunze e Wagner Bassi, as investigações apontam para autoria da madrasta.

Ele teria premeditado o crime por conta de uma herança que a menina tinha recebido. O valor é fruto de uma indenização pela morte da mãe na menor durante parto em um hospital da Capital, por erro médico.

A ação foi movida pelos avós maternos da criança, que ingressaram na Justiça pela indenização. Em 2019, após 10 anos, foi encerrado o processo, com ganho de causa para a família de R$ 800 mil, incluindo os descontos de honorários advocatícios.

Parte do dinheiro ficaria depositada em uma conta para a menina movimentar somente na idade adulta. A Justiça autorizou que fosse usada um pequena parte do dinheiro para despesas da criança, mas a maior quantia ficaria em depósito para uso após a maioridade, aos 24 anos.  

O pagamento da ação iniciou em 2019. Até 2018, a menina era criada pelo avós paternos. Em 2017, a avó morreu e no ano seguinte (2018) o avô faleceu também, passando a garota a ser criada, naquele mesmo ano, pelo pai e madrasta.

A partir daí, segundo a investigação, começou o plano da mulher para matar a criança com o objetivo de ter acesso ao dinheiro.

Comentários