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Poconé e Cáceres estão entre os municípios que mais queimaram este ano

Dois municípios de Mato Grosso estão na lista de locais que mais tiveram focos de queimada até o momento no Brasil. Poconé e Cáceres juntos já acumularam em 2020 cerca de 6 mil focos de calor, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

Com 4.103 focos, Poconé é o quarto município brasileiro que mais sofreu com o fogo este ano. Sozinho, o município de pouco mais de 17 mil km² já teve mais focos que estados inteiros como Roraima, que recorrentemente sofre com incêndios florestais, e que este ano já registrou 2.711 focos. 

O município é considerado o berço do Pantanal mato-grossense, que vem sofrendo com uma devastação histórica este ano. Desde o começo de 2020, já foram registrados 37.437 focos em todo o estado, sendo cerca de 30% apenas na região pantaneira. O bioma já contabiliza um aumento de 185% no número de queimadas se comparado o período de janeiro a 21 de setembro de 2020 ao mesmo período de 2019. 

Dados do Monitor de Queimadas disponibilizado pela ONG Instituto Centro de Vida, a partir da análise cruzada dos focos de calor do Inpe com imagens de satélite da Nasa, mostram que quase 60% do fogo deste ano tiveram origem em propriedades privadas com Cadastro Ambiental Rural (CAR). A principal suspeita é que fazendeiros atearam fogo na vegetação já seca em razão da longa estiagem como forma de preparar o solo para o novo pasto. O vento e a falta de chuva contribuíram para que o fogo se espalhasse, chegando a áreas de vegetação nativa. 

Enquanto voluntários trabalham para conter o fogo e moradores das regiões atingidas aguardam a chegada de chuvas mais volumosas, ambientalistas e pesquisadores têm chamado atenção para a pouca atenção dada pelo Governo Federal ao caso. 

Para Aluízio de Azevedo, cientista social e mestre em Educação Ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o poder público tem agido sistematicamente de forma negligente com a pauta ambiental. “As esferas estadual e federal têm sido omissas no combate ao incêndio. Há dois meses o ministro do meio ambiente esteve em Mato Grosso e sobrevoou o Pantanal. Mas não houve qualquer ação para impedir a devastação que já ocorreu. Não houve reforços de outros estado ou das próprias Forças Armadas como a situação exigiu e exige. Afinal o Pantanal é um patrimônio natural mundial.”

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizou a situação das queimadas, ao afirmar que outras regiões do mundo sofrem com situações piores. “Tem críticas desproporcionais à Amazônia e ao Pantanal, né. Califórnia está ardendo em fogo. A África tem mais fogo que no Brasil. Tem muita terra que ONG botou laranja aqui, então o lobby é enorme para você não fazer a regularização (fundiária) também”, disse em entrevista em frente ao Palácio do Planalto. 

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