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Pantanal está triste, diz produtor rural em meio a recorde de queimadas

O drama da maior série de queimadas no Pantanal pode ser visto bem longe das matas e várzeas da região e foi presenciado pelo Estadão. No centro de Cuiabá, em Mato Grosso, as máscaras de pano anticovid-19 não evitam o cheiro forte da nuvem cinzenta sobre a cidade. Os termômetros registram 33ºC. O clima é abafado e quente. Neste fim de semana, a fumaça dos incêndios no bioma e na Amazônia começou a chegar aos Estados do Sudeste e do Sul.

Pela estrada até Poconé, primeiro município da região pantaneira a partir da capital mato-grossense, é possível ver a devastação do fogo que consome a vegetação nativa desde julho.

Também fica visível a ausência de ações intensivas do poder público para conter os focos.

A destruição atinge desde propriedades particulares a áreas de grande interesse científico e ambiental. O governo de Mato Grosso estima que mais da metade dos 108 mil hectares do Parque Estadual Encontro das Águas, onde está a maior concentração de onças-pintadas no planeta, foi queimada. A unidade ecológica fica na localidade de Porto Jofre, a 290 quilômetros de Cuiabá. É dali que saíram, no começo da semana, as primeiras imagens de onças com patas feridas e enfaixadas.

Queimadas numa região de produção de bois e secas prolongadas são corriqueiras. As deste ano, porém, alcançaram dimensão avassaladora e inédita para sitiantes, barqueiros e boiadeiros que carregam a experiência de uma vida inteira enfrentando as estiagens.

Pequenos pecuaristas revelam o medo de perder a fonte de renda porque pastos que já eram modestos foram reduzidos a cinzas.

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