CIDADES ▸ SEM CHUVAS

Níveis de rios que abastecem o Pantanal de MT são afetados pela seca

Apesar das chuvas registradas em Mato Grosso, os bioma continua sentindo o impacto da maior seca desde a década de 1970. O nível do Rio Paraguai, que é responsável pela inundação do Pantanal, parou de abaixar. No entanto, ainda está quase três metros abaixo do normal, segundo o último boletim da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), divulgado nessa quinta-feira (22). Por isso, o bioma deve levar tempo para se recuperar.

O Rio Bento Gomes, em Poconé, a 104 km da capital, é um retrato da seca que atinge a região. A pouca água, que escorre pelas pedras expostas, já não tem força para abastecer a cidade, que sofre racionamento.

Os corixos, que são lagoas usadas por animais para hidratação, ainda estão secos. Os poucos lugares com água foram reabastecidos com caminhões-pipa.

Em uma reserva particular, mais de 150 pontos de água e alimentação foram espalhados. A bióloga Cristina Cuiabália explica que esses pontos estão sendo monitorados por câmeras.

"Percebemos se estão sendo bem utilizadas, se há vestígios, pegadas, fezes, em cada ponto e acrescentamos essas informações para ter uma boa noção de quais pontos estão sendo mais utilizados e quais não estão", conta.


A doutora em Ecologia e Conservação, Letícia Larcher, aponta que a baixa nos rios que abastecem o Pantanal tem relação também com o desmatamento, já que as nascentes de muitos desses rios estão em áreas degradadas, em outros biomas, como, por exemplo, o cerrado.

"Os 13 principais rios que alimentam o Rio Paraguai sofrem com desmatamento de suas nascentes em áreas de Cerrado. O desmatamento da Amazônia impede, ainda, que a umidade que sai do oceanos chegue até a formação de nuvens na região central da América do Sul, diminuindo a quantidade de chuvas que chegam até o Pantanal. Nós temos um cenário de seca para os próximos anos que precisa ser contornado", afirma.

Comentários