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Nicarágua determina saída da cadeia de 91 opositores para cumprir prisão domiciliar

O governo da Nicarágua concedeu, nesta segunda-feira (30), regime de prisão domiciliar a 91 opositores que estavam na cadeia. Entre os favorecidos está a líder estudantil belga-nicaraguense Amaya Coppens e 12 pessoas que foram detidas depois de transportar água a um grupo de mães em greve de fome.

"Hoje, 30 de dezembro, 91 opositores nicaraguenses voltaram para suas casas sob um regime especial de convivência familiar", divulgou o Ministério do Interior.
As libertações foram possíveis graças aos esforços do Papa Francisco, do núncio apostólico no país, Waldemar Stanislaw, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e da procuradoria de direitos humanos nicaraguense, segundo o comunicado do governo.

"Sinto uma mistura de alegria ao ver minha família e raiva ao ver como (meus dois irmãos) foram agredidos há alguns dias" por grupos armados durante um protesto pacífico, disse Coppens à AFP, logo após chegar em sua cidade natal de Estelí, no norte do país.

Coppens, de 25 anos, disse que vai seguir exigindo "liberdade, justiça e democracia para a Nicarágua", apesar de ter sido presa duas vezes nos últimos dois anos e de ter sua casa vigiada de perto por grupos de apoiadores do governo.

A jovem foi presa pela primeira vez em setembro de 2018 por participar dos protestos que começaram em abril daquele ano contra o governo de Daniel Ortega, no poder há mais de uma década, acusado pela oposição de corrupção.

Segundo Coppens, que da última vez que foi detida passou 46 dias no temido presídio de El Chipote, em Manágua, a capital do país, nas prisões existem "casos de tortura e maus-tratos" contra membros da oposição.

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