NACIONAL ▸ ELEIÇÕES 2022

Moro diz que medo do PT não é motivo para votar no presidente Jair Bolsonaro

O ex-ministro da Justiça, ex-juiz federal e pré-candidato à Presidência da República, Sérgio Moro (Podemos-PR), deu um ultimato para o deputado federal José Medeiros (Podemos-MT) quanto a 2022. Segundo Moro, caso queira continuar apoiando o presidente Jair Bolsonaro (PL), Medeiros terá que deixar a sigla.

"Ele vai ter que tomar uma decisão. É um pouco prematuro a gente ver qual caminho que ele vai seguir, mas é evidente que, se ele quiser continuar apoiando o presidente Bolsonaro, ele vai ter que deixar o Podemos", disse Sérgio Moro, em entrevista à Rádio Capital FM, de Cuiabá, nessa quarta-feira (29).

Moro reconheceu a importância de Mato Grosso para o Brasil e da pauta do agronegócio para o Estado, e garantiu que os projetos do Podemos são melhores do que os tocados pela atual gestão. Ele ainda afirmou que o partido tem plena consciência de que o governo chefiado por Jair Bolsonaro "é muito ruim".

"A gente estava falando há pouco de pessoas fazendo filas para ter acesso a ossos, restos de alimentos. Como que um governo desses pode ser considerado um governo bom? Como você pode falar que o país vai mal, mas o presidente é muito bom? Mentira! O país vai mal porque a liderança é ruim. Como você justifica a fila de ossos, a postura do governo em relação à pandemia?", colocou o ex-ministro

Moro também citou outros pontos do governo com os quais não concorda, como um desmantelamento do combate à corrupção, ofensa às pessoas, e atraso na vacinação e na percepção da importância da imunização para a população. Ainda, questionou se o apoio a Bolsonaro se daria por medo de que o PT volte ao poder.

“Tem gente que combateu o PT na história, de uma maneira muito mais efetiva e eficaz. Ou não combateu o PT, mas descobriu os esquemas de corrupção e mostrou o que o PT verdadeiramente é. Agora, apoiar o governo atual? Por que? Pra que? Se é uma questão meramente política, é ganhar eleições… Acho que o objetivo tem que servir e proteger a população brasileira, e nosso projeto vai nessa linha. Então, ele vai ter que fazer uma escolha”, finalizou.

A posição de Moro não é isolada no Podemos. No mês passado, o senador Álvaro Dias, que foi aliado de Medeiros em 2018, quando concorreu à Presidência da República, já tinha "convidado" o deputado federal a deixar o partido.

Também em uma entrevista à Rádio Capital FM, de Cuiabá, Álvaro Dias comentou que Medeiros não participou do ato de filiação de Sérgio Moro, em 10 de novembro, e garantiu que o Podemos não autoriza ninguém para o que chamou de deslealdade. A fala se deu quando foi questionado sobre uma possível liberação dos membros para apoiarem outros candidatos, como Bolsonaro.

"No Podemos, não há autorização para traição. Com toda tranquilidade e respeito às convicções pessoais, como democrata, a porta da entrada também é a porta da saída. Se o projeto do Podemos não serve... se for por falta de adeus, até logo... É preciso ser feliz onde se encontra. Se não é feliz onde está, por favor, se despeça, faça esse favor. Nós não vamos admitir comportamentos que não sejam de lealdade", disse o Senador.

Desde então, Medeiros tem afirmado à imprensa que não descarta deixar o partido. Diz ainda que tem recebido diversos convites e que fará as avaliações para, na janela partidária, em março de 2022, fazer a mudança.

Comentários