POLÍCIA ▸ OPERAÇÃO JUMBO

Mineradora em Poconé foi usada para lavar dinheiro do Tráfico de Drogas

Decisão que resultou na declaração da Operação Jumbo revela que ex-funcionários de Tiago Gomes de Souza, popularmente conhecido como “Baleia”, experimentaram salto econômico em curtíssimo período de tempo.  

Conforme detalhes apontados em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de Mato Grosso, o ex-gerente administrativo do posto Jumbo, Jhonny Luiz dos Santos, ganhava R$ 1.485 oficialmente e abriu junto a esposa, Mariella Caballero Olmero, empresa avaliada em R$ 100 mil.  

Na decisão, assinada pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Ana Cristina Mendes, Jhonny passou a gerenciar o posto no dia 14 de novembro de 2014. Na época, Mariella trabalhava em outra empresa e possuía rendimento mensal de R$ 1.598,45.  

Após 6 meses no novo emprego, Jhonny e a esposa abriram a empresa M.C.O Transportes Eirelli. Nos quase 7 anos de registro do negócio, o valor da instituição saltou de R$ 100 mil para R$ 8.899.474, somando o valor dos 43 veículos ligados à empresa.  

Neste ínterim, Jhonny se desligou do posto. Cerca de 8 meses após sair da gerência, já em 2018, abriu a segunda empresa do casal, a M.C.Log Transportes Eirelli. Com capital inicial de R$ 100 mil, a instituição atualmente está avaliada em R$ 3.144.805.  

Posteriormente, o casal abriu mais duas empresas, a Avgas Transportes Ltda, avaliada em R$ 104.500, e a Agrocorretora e Representações Ltda, de R$ 25.500.  

“Salientam que todas as empresas relacionadas à JHONNY possuem o mesmo endereço de cadastro da empresa M.C.O TRANSPORTES, o que, segundo os investigadores, indicariam que as empresas M.C.O TRANSPORTES, M.C.LOG TRANSPORTES EIRELI, AVGAS TRANSPORTES LTDA e AGROCORRETORA E REPRESENTACOES LTDA seriam um único empreendimento”.

Outro casal muito próximo de Baleia e que viveu ascensão financeira brusca foi Márcio de Oliveira Maruqes e Mirian de Luna Cavalcanti.  

Márcio era sócio de Baleia em um empreendimento rural na BR-070 avaliado em R$ 6 milhões. Contudo, em seu último emprego formal, em 2013, o salário era de R$ 405 como auxiliar de escritório.  

Nessa mesma época, Mirian era proprietária de uma empresa individual, com capital social de R$1,00, no setor de comercio varejista de roupas. Consta que a declaração ao INSS apontava rendimento mensal não superior a R$ 3.655,82.  

Em 16 de dezembro de 2014, o casal abriu a empresa Brascambio, nos setores de agência de viagem e câmbio. Durante toda sua atuação, a instituição fez diversas transações financeiras entre Baleia e pessoas vivíparas ao tráfico de drogas.  

A partir de 2017, o casal passou a explorar o setor de mineração, fundando a empresa Márcio Metais naquele ano com posterior abertura de uma filial em Poconé em 2019.   Já em 2020, Márcio abriu a Mom Mineração, com capital social de R$ 100 mil.  

“Nesse cenário, apontam os investigadores que os ganhos financeiros e a escalada patrimonial descrita possuiriam contemporaneidade com a atividade da narcotraficância, suspeitando-se que todo o patrimônio seria decorrente dos ganhos obtidos por meio da infração penal”.  

Com o desenrolar das investigações, ambos os casais foram alvos da operação.  

Operação  

Baleia foi preso na segunda-feira (16) em sua casa no condomínio de luxo Alphaville, onde policiais cumpriram também mandados de busca e apreensão.  

As investigações apontavam que a quadrilha, que tinha Baleia como um dos "chefões", usava os postos para lavar o dinheiro obtido no tráfico de drogas.    

Por isso, a operação foi batizada com o nome de um dos locais alvos dos mandados de busca, o auto posto Jumbo.     

A investigação ganhou corpo após o Grupo Especial de Fronteira e a Inteligência da Polícia Militar interceptar dois carregamentos de cocaína. A droga apreendida totalizou 210 kg.  

Foi descoberto então que a quadrilha comprava a droga em Porto Esperidião, guardava em Mirassol D’Oeste e depois fazia a distribuição por Cuiabá. Em 4 anos de ação, o grupo movimentou R$ 350 milhões.

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