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Medidas anticorrupção não obtêm votos necessários para aprovação na Colômbia

A maioria absoluta dos colombianos que compareceram à consulta popular de domingo (26) votou a favor de melhorar a transparência e impor punições mais severas contra autores de crimes do colarinho branco. Porém, a votação não alcançou a participação requerida para que as sete novas medidas fossem fossem incorporadas à lei vigente.

A votação mobilizou quase 11,7 de eleitores, mas não atingiu os pouco mais de 12,1 milhões de votos que precisava para que as medidas fossem incorporadas à lei vigente, segundo informou o Registro Nacional, encarregado da consulta após contabilizar 99,97% dos votos.

A maioria absoluta dos votantes apoiou um maior rigor no combate à corrupção. "99% dos que votaram apoiaram as iniciativas. Infelizmente, o número de votos não alcançou a barreira de participação", declarou o presidente Iván Duque.

Essa foi a 1ª vez que os colombianos se pronunciaram em nível nacional através deste mecanismo de participação popular previsto na Constituição em vigor desde 1991.

O referendo perguntou se os salários mensais para parlamentares e outros funcionários de alto escalão deveriam ser limitados ao equivalente a 25 salários mínimos, ou quase 6.600 dólares. Os legisladores atualmente ganham mais de 10.500 dólares por mês, enquanto o salário mínimo é de 260 dólares.

Outras questões tratavam da proibição de sentenças alternativas, como prisão domiciliar nas condenações nos casos de corrupção, necessidade de divulgação de declarações de impostos e imposição de limite de três mandatos para parlamentares regionais e nacionais.

Iván Duque respaldou a iniciativa, apesar das reservas e da oposição de membros de seu partido, o conservador Centro Democrático, que tem maioria no Senado.

Após conhecer os resultados - que ainda devem ser promulgados pela autoridade eleitoral -, os incentivadores do projeto disseram que vão tramitar as iniciativas pela via parlamentar, apesar da recusa histórica do Congresso em legislar de forma severa contra estas práticas.


"Faltaram cinco centavos, mas a mudança é irrefreável e aqui houve uma sacudida a essa classe política tradicional. A cidadania já não lhes faz caso, não engole e quer uma mudança genuína nas práticas políticas e na corrupção", declarou à imprensa a senadora Angélica Lozano, do Partido Verde.

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