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Me deu pânico, estou sozinha aqui, diz campo-grandense sobre onda de protestos no Chile

A campo-grandense de 32 anos Dayana Vitório que há oito anos vive em Santiago, no Chile, descreve a atual situação do país, que enfrenta uma onda de protesto por conta do aumento das passagens de metrô, como um cenário assustador. Apesar de nesta segunda-feira (21) o clima estar mais pacífico, ela conta que na última sexta-feira (18), a violência tomou conta das ruas do país:

"Me deu pânico, estou sozinha aqui. Minha família toda está no Brasil e nunca tinha visto isso antes. Foi assustador", relembra.
Dayana que trabalha na área comercial de uma empresa multinacional, conta que mesmo o governo chileno voltando atrás quanto ao valor das passagens do metrô, os protestos começaram a ganhar força: "Foi nesse momento que começou todo o caos. As pessoas aproveitaram essa insatisfação contra os bilhetes e foram se revoltando por outros serviços. Quem não estava protestando, começou a protestar", explicou ao G1.

Desde sexta-feira (18), uma onda de protestos violentos deixou 11 mortos e 1.462 detidos. O metrô, que transporta diariamente quase 3 milhões de pessoas, estava fechado depois que 78 estações e trens sofreram ataques durante violentas manifestações que começaram por causa do aumento nas tarifas do metrô. A empresa estatal que administra o sistema avalia que o prejuízo deve chegar a mais de 300 milhões de dólares.

Conforme a campo-grandense, na última sexta-feira, o ápice dos protestos, conta que teve muito dificuldade par chegar em casa por conta das manifestações: "Nesse dia foi a gota d'água. Eu saí duas horas mais cedo do meu trabalho, e as quatro da tarde, era impossível se locomover em Santiago. Toda linha 1 que cruza a cidade estava fechada. Eu tive que caminhar cerca de quatro estações para chegar em casa", relembra.

Na manhã desta segunda, primeiro dia depois de três jornadas de distúrbios, foram reabertas uma parte das estações da linha 1 do metrô, uma das sete que integram a rede da capital. Para que as pessoas pudessem voltar ao trabalho, 465 ônibus extras foram colocados em circulação.

Segundo Dayane, mesmo com a retomada da normalidade, a violência é outro ponto que a preocupou nesse período tenso que o Chile vive: "De repente tudo começou a sair fora de controle. Teve gente que começou a roubar, entraram dentro de supermercados e saquearam. Até dentro das casas começaram a entrar. Eu nunca tinha visto isso e tentamos voltar a vida como era antes", lamenta.

No domingo, o ministro do Interior chileno, Andrés Chadwick, tinha informado que sete pessoas tinham morrido durante dois incêndios: duas pessoas em um supermercado durante a madrugada e outras cinco em uma fábrica na periferia da capital.

"Hoje tivemos mais de 70 atos de grave violência, entre eles, mais de 40 saques", disse Chadwick em um pronunciamento.

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