CIDADES ▸ FIM DA PESCA

Mauro questiona número de pescadores em MT e defende cota-zero

O governador Mauro Mendes (DEM) defendeu a aprovação pela Assembleia da Mensagem 107, que trata da moratória da pesca com proibição do transporte e comercialização dos peixes nativos dos rios de Mato Grosso pelos próximos cinco anos. Considerada pauta-bomba, a matéria já enfrenta a resistência de deputados estaduais, pescadores e empresários do ramos do turismo.

 Segundo Mauro, a “cota zero” para pesca que deve vigorar a partir de janeiro de 2020, caso seja aprovada pelo Legislativo, e tem objetivo de fomentar o turismo no Pantanal. Além disso, o governador contesta o dado de que mais de 100 mil pessoas vivem da pesca em Mato Grosso e defende investigação da Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF).

“É muito comum ouvir relatos de pessoas que foram para o rio pescar e não conseguiram pegar absolutamente nada. Já houve uma degradação muito grande. O turismo da pesca tem um potencial gigantesco. Em média, 100 mil brasileiros se deslocam para a Argentina todo ano para pescar porque lá tem peixe. Em Mato Grosso, a uma única pousada com 100% de lotação todo o ano. Lá,  você pode pescar, mas não pode transportar. Nós temos uma janela para dar uma guinada. Turismo no Pantanal é pífio diante da potencialidade que existe”, disse o governador, durante o lançamento do mecanismo de controle do desmatamento chamado Imagens Planet, realizado na manhã desta quarta (14).  

Sobre o quantidade de pescadores no Estado, Mauro afirma que o número é superdimensionado. Por isso, sugere que seja investigado pelas autoridades competentes já que pessoas devem receber o Seguro-Defeso no período da piracema de forma indevida.

“Temos mais de 100 mil pescadores profissionais em Mato Grosso e dados que mostram que muitos são empresários, funcionários públicos e nem de longe vivem da pesca. Isso é problema da PF e do MPF. Isso é crime”, pontuou.  

Para defender a “cota-zero”, o governador ainda cita o exemplo do dourado e lembra que a espécie foi salva após a proibição da pesca em todo Estado. Além disso, garante que os pescadores das comunidades ribeirinhas, que praticam a pesca de subsistência, não ficarão sem assistência.  

“Vejo o exemplo do dourado. Foi proibida a pesca anos atrás e hoje é a única espécie que você consegue identificar. Dia desses,  tinha avião de americanos no Pantanal que veio de lá pescar em Mato Grosso. Imagine quanta riqueza vamos gerar se recuperar essa população de peixes no Estado” disse Mauro. “A indústria do turismo é a que mais cresce no planeta. Vamos criar mecanismos transitórios para quem mora na beira do rio pescar e  comer no período de transição. O Governo já está finalizando projetos de transição para cidades como Santo Antônio do Leverger e  Barão de Melgaço com geração de emprego numa perspectiva diferente.”, concluiu.

Apesar da defesa enfática do  governador, os parlamentares são quase unânimes em afirmar que a Mensagem 107 não será aprovada sem modificações. Pelo menos cinco audiências públicas, em cidades que a pesca tem incidência sobre a economia, serão realizadas pela  Assembleia.

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