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Justiça condena bando que roubava e adulterava carros; Hilux em Poconé

A juíza Ana Cristina Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, condenou dois líderes de uma quadrilha especializada em roubos, receptação, adulteração de veículos e falsificação de documentos, na Grande Cuiabá. 

Uilson José Pedroso foi condenado a 19 anos, três meses e 24 dias de prisão e 60 dias-multas pelos crimes organização criminosa, receptação, adulteração de sinal identificador de veículos automotores, estelionato, posse irregular de arma de fogo e uso de documento falso.

Já Paulo Roberto Santiago Silva foi condenado a 14 anos e oito meses de prisão e 64 dias-multa pelos crimes de organização criminosa, receptação, adulteração de sinal identificador de veículos automotores, estelionato e posse irregular de arma de fogo. 

A decisão foi publicada nesta segunda-feira (5).

Os dois estão encarcerados desde outubro de 2017 quando foram presos em flagrante pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derrfva).

Uilson usava o nome falso de Marcos Sílvio Freitas. Ele já é condenado a 32 anos por crime de latrocínio (roubo seguido de morte). A vítima seria um policial do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), em Cuiabá.

Na decisão, a juíza fixou inicialmente o regime fechado para o cumprimento das penas, negando aos dois o direito de recorrer em liberdade.

“Da análise do autos, verifico que os acusados Paulo Roberto Santiago Silva e Uilson Jose Pedroso foram presos em flagrante delito, bem como tiveram a prisão preventiva decretada, conforme fls. 390 e 391, por este Juízo”.

“Assim, considerando o regime de cumprimento fixado aos acusados, e considerando, ainda, a necessidade de manter a garantia da ordem pública, a fim de coibir a reiteração criminosa dos mesmos, mantenho o decreto preventivo de fls. 390 e 391”.

Os crimes

Na época, o delegado Marcelo Martins Torhacs, da Derrfva, disse que o grupo chefiado por Uilson José e Paulo Roberto atuava com “profissionalismo” e com frequência no furto, roubo, receptação e adulteração de sinais identificadores de veículos em Cuiabá e Várzea Grande.

“Essa associação criminosa se caracterizava pela qualidade das adulterações de sinais identificadores, especialmente pela adulteração de placas de identificação e da gravação da numeração de chassi nos vidros”, relatou.

Conforme o delegado, no dia 19 de outubro de 2017, no condomínio de quitinetes denominado "Ailin”, no Bairro Jardim Tropical, em Várzea Grande, foram encontrados uma caminhonete Toyota Hillux prata e um Corolla cinza, roubado no dia 18 de outubro, que já estava com placas falsas.

Na ocasião, os policiais militares tomaram conhecimento que Paulo Roberto era o responsável pela ocultação dos veículos no imóvel. As imagens captadas pelo sistema de videomonitoramento do condomínio também flagraram o momento que o suspeito chegou conduzindo a caminhonete Hillux roubada.

Na sequência, os militares procederam com diligências na residência onde Paulo Roberto residia, vindo a apreender várias placas de identificações de veículos. Parte das placas foi retirada de veículos furtados e roubados.

Desde então, a Polícia Civil, por meio da Derrfva, passou a procurar por Paulo Roberto. No dia 21 de outubro, um homem de 53 anos procurou a delegacia  e apresentou a caminhonete Toyota Hillux branca, com placa falsa e roubada no dia 23 de setembro.

O comunicante contou que um homem chamado "Fabiano", no grupo do Facebook "Desapega Barra do Garças”, anunciou a venda da caminhonete. E após tratativas, os dois fecharam o negócio.

Em conversa, Fabiano esclareceu que não poderia comparecer no encontro, mas encaminharia seu cunhado, Paulo Roberto, para entregar a caminhonete e buscar em troca uma motocicleta Yamaha YZF R1, avaliada em torno de R$ 40 mil e, mais a quantia em dinheiro de R$ 10 mil.

A negociação foi realizada em frente a um posto de combustível, nas proximidades da Rodoviária de Cuiabá em 20 de outubro. 

O autor do crime também solicitou que a vítima firmasse procuração em seu favor, fato esse feito, e ainda recebeu do suspeito dois documentos da caminhonete adquirida (CRV e CRLV). Ambas as cédulas eram produtos de crimes e falsificadas.

Porém, ao conduzir a caminhonete para vistoria e, posteriormente, transferência, a vítima se surpreendeu com a constatação de que se tratava de produto de crime, e que o veículo estava com placas adulteradas. Ele então levou o veículo espontaneamente na delegacia.

Diante dos fatos, os policiais civis suspeitaram que poderia ser mais uma ação do grupo liderado por Paulo Roberto, que acabou reconhecido pela vítima através de fotografia.

Com base nos indícios, os investigadores simularam interesse na compra de um veículo. O encontro foi marcado e, no local, Paulo Roberto foi detido em poder da caminhonete Hillux roubada em Poconé e com placas adulteradas.

Conduzido à Delegacia, ele foi interrogado e apontou o endereço que servia de “base” para o grupo, indicando uma casa no bairro Boa Esperança. Em ato contínuo foram feitas buscas, que culminaram na prisão de Uilson José.

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