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Fogo já queimou 70% de santuário de onças-pintadas no Pantanal de Mato Grosso

Na tarde da última sexta-feira (11/09), um helicóptero da Marinha do Brasil levantou voo com um passageiro incomum: uma onça-pintada. Durante o transporte aéreo, os olhos assustados do bicho, resgatado no Pantanal, em nada lembravam o felino destemido que costumava se aproximar dos barcos, característica que fez com que ele passasse a ser conhecido na região como Ousado.

Horas antes de entrar no helicóptero, o animal havia sido localizado por uma equipe de voluntários que auxiliam no resgate aos animais no Pantanal, que passa pelo pior período de queimadas das últimas décadas.

Ousado estava caído no Parque Estadual Encontro das Águas, na região de Porto Jofre, na cidade de Poconé (MT), quando foi encontrado pelos voluntários, que passavam de barco pela região. O felino estava com as patas queimadas. Ele apresentou postura agressiva e teve de ser anestesiado para que fosse retirado do local.

Localizado no Pantanal, o Parque Estadual Encontro das Águas é considerado o lugar com a maior concentração de onças-pintadas do mundo. Nas últimas semanas, porém, o local se tornou extremamente perigoso para os felinos. Isso porque dos 108 mil hectares da reserva, 77 mil foram atingidos pelo fogo até o momento, segundo dados do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso.

Assim como no parque, o fogo tem avançado com rapidez por todo o Pantanal, que já teve mais de 2,3 milhões de hectares atingidos por queimadas, segundo o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo). O número representa mais de 15% de toda a extensão do bioma no Brasil, conforme o Instituto SOS Pantanal. A área queimada corresponde, por exemplo, a quase três vezes a região metropolitana de São Paulo, que abriga 39 municípios, ou 15 vezes a área da capital paulista.

De janeiro ao início de setembro, foram registrados 12,1 mil focos de calor no Pantanal, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o maior número no período desde 1999, quando o instituto iniciou um monitoramento que se tornou referência para acompanhar as queimadas no país.

Assim como a flora, a fauna do Pantanal tem sido duramente atingida. Há diversos animais carbonizados no bioma. As onças-pintadas que vivem ali tentam fugir do fogo, mas algumas acabam machucadas pelas chamas.

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