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Febre do Nilo em cavalos é registrada pela primeira vez no estado do Ceará

A Febre do Nilo Ocidental (FNO) é uma doença causada por um vírus do gênero Flavivirus, assim como os vírus da Dengue e da Febre Amarela. O vírus do Nilo é transmitido por meio da picada de mosquitos infectados. Os hospedeiros naturais são algumas espécies de aves silvestres, que atuam como amplificadoras do vírus e como fonte de infecção para os mosquitos. Também pode infectar humanos, equinos, primatas e outros mamíferos.

Outras formas mais raras de transmissão já foram relatadas e incluem transfusão sanguínea, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão transplacentária. A transmissão por contato direto já foi demonstrada em laboratório para algumas espécies de aves. Não há transmissão de pessoa para pessoa. A manisfestação de sintomas varia de 3 à 14 dias após a picada do mosquito, e varia entre febre passageira, acompanhada ou não de mialgia, mal-estar, fraquesa e alterção no “padrão mental”, anorexia, náuseas, dor nos olhos, dor de cabeça e linfoadenopatia.

Nesta semana, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) confirmou, o primeiro caso da Febre no Estado. A zoonose, considerada rara, foi diagnosticada em um cavalo do Município de Boa Viagem, no Sertão Central. O animal que estava em um curral, morreu subitamente em decorrência da infecção viral aguda.

No Brasil evidencias sorológicas em animais, mais especificamente em cavalos, foram detectadas no ano de 2010 em Rio Branco no Acre, Poconé em Mato Grosso e em Maracaju no Mato Grosso Sul. Mais recentemente em 2014 foi registrado o primeiro caso humano de encefalite pelo vírus do Nilo no estado do Piauí. “Este último resultou em óbito”, pontuou o médico veterinário e fiscal estadual da Adagri, Jarier de Oliveira Moreno.

O secretário de Saúde do Município de Boa Viagem, Wiliams Vaz, destacou que, após a confirmação do caso, deu início a uma série de medidas cautelares. Ele destacou que a zoonose pode afetar também humanos, embora seja raro.

Como se trata de uma doença rara, exótica, também não é possível prever qual o procedimento específico a ser adotado, uma vez que pode ser considerada uma arbovirose, como dengue ou chikungunya. Não existe vacina ou tratamento antiviral específico. O tratamento varia de acordo com os sintomas apresentados. Os casos mais graves frequentemente necessitam de hospitalização para um acompanhamento mais regular.

Risco para criadores
Semanas antes da confirmação da morte do cavalo por decorrência da Febre do Nilo, a Adagri registrou morte de cavalos em outros municiíos do Ceará: Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Canindé, Abaiara, Irauçuba e Limoeiro do Norte.

O órgão direcionou coletas de amostras de tecido nervoso dos cavalos que vieram a óbito, no entanto, até o início desta semana, apenas o caso de Boa Viagem havia sido constatado como positivo. Para o presidente da Câmara Setorial da Equinocultura do Ceará (CS Equinos), Alexandre Fontelles Pereira, esse é um caso preocupante. Ele avalia que o setor pode ter sérios prejuízos.

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