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Ex-Governador Pedro Taques sobre acusação de comandar grampos: Estou louco para falar

O ex-governador Pedro Taques (PSDB) afirmou à imprensa, na noite de terça-feira (06), que “está louco para falar” sobre as acusações feitas a ele de que era o mentor da organização criminosa que, comandou as escutais telefônicas ilegais em Mato Grosso.

O tucano afirmou que ainda não foi intimado por nenhum dos poderes a prestar esclarecimentos sobre as acusações feitas pelos réus da ação penal do caso que ficou conhecido como Grampolândia Pantaneira. Taques garantiu que quer expor sua defesa.

“Não fui intimado ainda, estou louco para falar. Já peticionei em todos os locais para que eu possa prestar depoimento”, afirmou aos jornalistas após o julgamento das contas de seu último ano de gestão, que ocorreu no Trinunal de Contas do Estado (TCE).

Taques explicou que no posto de chefe do Poder Executivo poupou dar declarações polêmicas em relação ao esquema de grampos, que seria operado por membros da Polícia Militar.

“Não fui intimado ainda, estou louco para falar. Já peticionei em todos os locais para que eu possa prestar depoimento”, afirmou.
O ex-governador e o primo dele, Paulo Taques – ex-chefe da Casa Civil – são acusados pelos réus de mandar cooptar conversas telefônicas durante as eleições de 2014, para fiscalizar seus adversários políticos. Pedro Taques nega as acusações e garante que irá exercer seu poder de ampla defesa ao longo do processo.

“Como governador eu tinha e mantive a liturgia do cargo, mas agora eu não sou mais governador. Eu como todo cidadão tenho direito constitucional de exercer a defesa, conforme determina a própria constituição”, argumentou.


Na noite de terça-feira, Taques recebeu o aval do TCE para a aprovação das contas de gestão de 2018. A votação foi unânime pelos conselheiros. Na ocasião, ele avaliou a análise das contas públicas como “a verdade”.

“Como governador eu tinha e mantive a liturgia do cargo, mas agora eu não sou mais governador. Eu como todo cidadão tenho direito constitucional de exercer a defesa".
“A verdade aparece, tendo em vista o momento histórico que vivemos, notadamente em 2016, 2017 e 2018, sem recursos em caixa e as medidas foram tomadas”, disse convicto.

Escutas ilegais

Investigações que levaram à prisão de oficiais de alta patente da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso apontaram um grandioso esquema de escutas ilegais que teria interceptado mais de 800 conversas de políticos, advogados jornalistas e desafetos.

Conforme apurado, os telefones foram grampeados com autorização da Justiça por meio de uma técnica denominada “barriga de aluguel”, que é quando não investigados são inclusos em uma lista de pedidos de interceptação autorizada por magistrados.

Entre os alvos das investigações estão o ex-governador Pedro Taques, seu primo e ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques – que seriam os mentores do crime –, os ex-coroneis Zaqueu Barbosa (ex-comandante da PM), Evandro Lesco (ex-secretário da Casa Militar), além do cabo Gérson Corrêa Júnior.    

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