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Ex-deputado Sérgio Ricardo desviou R$ 11 milhões para comprar vaga de Alencar no TCE

O ex-deputado, José Riva revelou em suposta proposta de delação premiada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que o conselheiro afastado do Tribunal de Contas, Sérgio Ricardo teria utilizado recursos desviados da Assembleia Legislativa para “comprar”, por R$ 11 milhões, a vaga antes ocupada por Alencar Soares no TCE.

Os valores utilizados para pagar a cadeira, de acordo com Riva, tiveram origem nos desvios de recursos da Assembleia através de três empresas, sendo que foram pagos a essas empresas, no segundo semestre de 2010, cerca de R$ 16,7 milhões.

"Frise-se que esses valores tiveram origem nos desvios de recursos da ALMT através das empresas Comercial Amazônia de Petróleo, Capital Comércio e Representação de Móveis e Informática, e Uni Soluções em T.I., sendo que foram pagos a esses empresas, no segundo semestre de 2010 (Doc. n. XX), os valores aproximados de R$4.000.000 à Capital Comércio e Representações, R$6.700.000,00 a Comercial Amazonia de Petróleo e R$6.000.000,00 à Uni Soluções em TI.29", revela trecho do documento.

Segundo Riva, em 2009 o então deputado estadual Sérgio Ricardo teria começado as negociações com Alencar Soares para ocupar o cargo dele de conselheiro.

Inicialmente, ambos teriam combinado o valor de R$ 2,5 milhões que, segundo José Riva, foram repassados de imediato pelo ex-servidor da Assembleia Legislativa, Edemar Nestor Adams, ao então conselheiro, a partir de valores ilícitos obtidos pelas empresas do Grupo Nassarden, investigadas na Operação Imperador.

Riva conta que em seguida, o então governador Blairo Maggi teria tentado emplacar o então secretário Éder Moraes na vaga. Em reunião com Maggi, o ex-deputado disse que informou sobre a impossibilidade de Eder assumir a vaga, pois havia outros deputados que teriam demonstrado interesse.

Ele conta que dois anos depois, em reunião na casa de Alencar Soares, o grupo teria concretizado a negociação que chegou ao valor de R$ 11 milhões, sendo R$ 6 milhões por Sérgio Ricardo e R$ 5 milhões pela Assembleia.

José Riva relata que Sérgio Ricardo pagou metade de sua parte, R$ 3 milhões, em espécie, na casa de Alencar Soares. 

Por fim, Riva conta que Sérgio Ricardo foi um dos maiores beneficiados com fatos que são investigados na operação Imperador, “pois, em conjunto com o Sr. Edemar Adams, desviaram dezenas de milhões de reais através das empresas comandadas por Elias Nassarden”.

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