POLÍTICA ▸ ÁUDIOS BOMBÁSTICOS

Ex-assessor cita deputado de MT como membro de quadrilha e capacho de Jair Bolsonaro

Áudios gravados em fevereiro deste ano pelo advogado e assessor parlamentar José Roberto Feltrin, que morreu aos 55 anos no dia 18 de maio, vítima da Covid-19, mostram que ele estava revoltado com o chefe dele, o deputado federal José Medeiros (Podemos). Feltrin afirma nas gravações que Medeiros faz parte de uma quadrilha que deu o golpe no Brasil e que ele é tão submisso ao presidente Jair Bolsonaro por temer o “gabinete do ódio” que costuma destruir reputações e promover ataques virtuais coordenados contra pessoas que criticam a gestão de Bolsonaro.

Nos áudios, gravados em conversas com Carlos Naves de Resende, também é advogado e ex-servidor no gabinete de José Medeiros, José Feltrin diz que o presidente já percebeu que Medeiros é uma peça fácil de ser manipulada e por isso vai usá-lo como “boi de piranha” para criar “cortina de fumaça” e desviar o foco da má-gestão e falta de ações concretas para o enfrentamento da pandemia de Covid-19.

 José Feltrin antes de morrer por complicações da Covid deixou um áudio culpando José Medeiros e Jair Bolsonaro pelas milhares de mortes no Brasil em decorrência da pandemia, pela falta de vacinas e ações negacionistas que incluíam o não uso de máscaras e incentivo a aglomerações e abertura do comércio em períodos em que o lockdown  era recomendado para conter o avanço do coronavírus.

Para reforçar a teoria de que Medeiros seria usado para desviar o foco, Feltrin cita a prisão do também deputado federal bolsonarista, Daniel Silveira (PSL), na noite do dia 16 de fevereiro por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Silveira foi preso porque vinha defendendo abertamente a ditadura militar, fazendo ataques contra o Supremo e instigando aliados bolsonaristas a fazerem o mesmo, a praticarem agressões e ofensas contra ministros da Suprema Corte.

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Os novos áudios, gravados em fevereiro, foram divulgados pelo site RD News nesta segunda-feira (7). Nas conversas, José Feltrin não poupa palavras para registrar o que pensa de José Medeiros que naquela época era seu chefe. Ele começa falando da prisão do deputado Daniel Silveira, que afirma tratar-se de uma estratégia do presidente Jair Bolsonaro para desviar o foco da pandemia.

“É pura distração mesmo, Navinho. Com a pandemia, na forma que está sendo conduzida no país, só irresponsabilidade, morrendo uma média de mais de mil pessoas todos os dias e a vacina acabou, não conseguiram comprar, não conseguiram renovar os estoques, está paralisado desde ontem paralisou  toda vacinação. O governo precisa encontrar alguém para chamar atenção, para distrair a população do problema principal.  Aí usam os que eles têm, as buchas de canhão que eles têm, que é o deputado Silveira, outros deputados que estão por ai e fazem parte da quadrilha que deu o golpe no país e que tomou o poder na marra. Mas para manter o poder na marra não é fácil. Então, o Bolsonaro vai queimando. E o Bolsonaro já sentiu o gostinho de saber que que esse menino aí [Medeiros],  ele é uma peça fácil de ser manobrável. Então, o próximo a ser usado agora é ele. Lamentavelmente, infelizmente. É uma vergonha para Mato Grosso esse aí”, desabafa Feltrin.

Em seguida, afirma que José Medeiros nunca questiona a postura de Jair Bolsonaro porque teme ser alvo do gabinete do ódio, que seria comandado por um dos filhos do presidente, o vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro.  “Achei que ia demorar um pouco mais, mas foi mais rápido. O próximo elemento da quadrilha a ser usado como boi de piranha está sendo o seu amigo, a sua cria. Você sabe como é máfia, quadrilha, como funciona essas coisas. O deputado Silveira está sendo usado pela gangue do Bolsonaro para poder chamar a atenção diante desse quadro alarmante da pandemia. Bolsonaro perdendo popularidade dia a dia, em poucos dias, ele despencou mais de 10% de aprovação, aí usaram o Silveira”, comenta Feltrin.

Na sequência, ele diz que o próximo a ser “fritado” como “boi de piranha” será José Medeiros. “Só que eu falei, agora vão usar nosso amigo também. Eles sabem que ele [José Medeiros] faz parte da gangue, está até o pescoço. Ele mija, caga,  peida com medo do gabinete do ódio. Por que não usaram ele ainda? Ele é peça importante para ser usado nesse tabuleiro, para ser queimado. E ta aí a resposta, não demorou muito. Vai ser esmagado, agora é o momento que ele vai ser esmagado. Mas é isso ai, quando você entra para uma quadrilha, para uma gangue, é isso que acontece. Você fica refém e fica obrigado a fazer aquilo o que o chefe da quadrilha manda”, disparou Feltrin.

No dia 21 de maio, após a morte de Feltrin, quando veio à tona o áudio deixado por ele culpando Medeiros e Bolsonaro por sua morte e também dos milhares de brasileiros vítimas da pandemia, José Medeiros soltou uma nota alegando que a gravação não teria sido realizada por Feltrin. O deputado lamentou e disse morte do assessor estava sendo usada politicamente por adversários.

Depois disso, a esposa de Feltrin e o amigo dele, Carlos Naves, que divulgou o áudio, confirmaram a autenticidade da gravação. Poucos dias depois, o advogado Carlos Naves protocolou um requerimento junto à CPI da Covid, no Senado, pedindo proteção policial por receber ameaças do deputado José Medeiros.

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