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Dançarina acusa jogador de comprar depoimentos de colegas de time em MT

Autora da denúncia de lesão corporal contra o atacante Clayson e seus amigos D.P. e P.H., Danielle Sarti, de 21 anos, acredita que os depoimentos dados pelas testemunhas do caso à Polícia Civil do Mato Grosso são mentirosos e foram comprados pelo ex-jogador do Corinthians. Em entrevista ao UOL Esporte, a jovem relata a vontade de trancar a faculdade para focar no tratamento e cuidar de sua saúde mental após o episódio.

Por telefone, Danielle atendeu a reportagem no dia 26 de dezembro e refutou os depoimentos de Clayson, D.P., P.H. e também de A.L.S. e L.L. À polícia, as testemunhas haviam dito o atleta não participou das agressões em um quarto de motel na madrugada do dia 6 de dezembro, em Cuiabá. Danielle acusa o atleta e os dois amigos de agressão com socos, tapas e cacos de vidro de uma garrafa de cerveja quebrada.

"A única coisa que posso dizer é que as duas meninas foram compradas porque elas presenciaram as agressões. O D.P. e o Clayson estão mentindo", afirmou ao ser questionada sobre as versões apresentadas pelas testemunhas nos relatos colhidos entre os dias 13 e 17 deste mês na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher.

O trio a contratou em uma boate de Cuiabá junto com outras duas mulheres para uma noite em um motel da cidade. Terminado o programa, Danielle teria entrado em atrito com D.P. por conta do pagamento combinado. Após o ocorrido, o homem teria iniciado a agressão e contado com a ajuda do atacante Clayson, na época jogador do Cuiabá.

"Ele que iniciou a agressão, começou a me bater e iniciou todo o processo que eu não gosto de lembrar, é muito triste. O Clayson só seguiu o baile, como dizemos popularmente. Ele me bateu duas, três, quatro vezes. Foram socos e uma chave de braço. Eu até mordi ele porque estava recebendo uma chave de braço", relata.

Segundo Danielle, que atualmente está sob os cuidados da família e recebendo acompanhamento profissional, o episódio lhe causou sérias cicatrizes. Ela afirma que chegou a tentar cortar a própria garganta no mesmo dia, e hoje vive constantemente medicada, com o acesso às redes sociais controlado por seus familiares.

"No momento em que eu estava toda rasgada, toda cheia de cortes porque me cortaram com garrafas quebradas, eles deram ré no carro. Fiquei chorando, saí do motel e sentei na porta esperando chegar um Uber. Cheguei na Boate Crystal e quanto entrei no apartamento tentei suicídio, cortei minha garganta. Isso em momento algum disse que foram eles. Eles me cortaram com as garrafas, mas não tentaram cortar minha garganta. Eu atentei contra a minha própria vida e estou em tratamento. Se estou falando com você é porque minha família permitiu, eles não me permitem mexer no celular. Tenho tomado remédios, usado várias medicações e estou sendo tratada por psicanalistas", explicou.

De acordo com ela, a família estuda maneiras de abrir um processo na Justiça contra os envolvidos no episódio em Cuiabá. Contudo, neste momento, a prioridade é cuidar de sua saúde mental e, assim que possível, retomar os estudos na universidade.

"Estou retomando a faculdade dentro do que eu posso. Se você perguntar qual é a minha vontade, vou te dizer que é trancar (a matrícula) e procurar através dos recursos da minha família um tratamento. Fui diagnosticada com outras doenças psicossomáticas. Isso é de família e de questões de vivência, como depressão, ansiedade e bipolaridade. Estou tratando até que eu possa voltar à faculdade. Pretendo trancar para que eu possa me recuperar por completo", concluiu.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil do Mato Grosso não deu informações sobre o andamento do caso. O atacante Clayson também foi contatado e informou, através de sua assessoria de imprensa, que reafirma sua versão prestada em depoimento na Delegacia Especializada da Defesa da Mulher de que não agrediu Danielle.

 

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