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Coronavírus obriga clubes de Mato Grosso a dispensar atletas e colaboradores

O futebol mato-grossense também sofre os efeitos da paralisação em função da pandemia do coronavírus. Se em âmbito nacional os clubes brasileiros ainda estão em negociações salariais para definir como ficará o acerto com os atletas durante a interrupção do calendário, em Mato Grosso a maioria dos times já definiu sua situação, com alguns dispensando seus jogadores e também colaboradores de forma definitiva.

O Cuiabá, por exemplo, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro e dessa forma tem um poderio financeiro maior, se deu ao luxo de dar folga a jogadores e funcionários do clube. Os demais estão fazendo acertos amigáveis de acordo com a situação de cada um, já que não há esperanças que sejam retomada as quartas de final do Campeonato Estadual, onde oito clubes disputariam o título.

Situação dos clubes mato-grossenses

Cuiabá – O Cuiabá Esporte Clube é o atual campeão estadual e líder da competição em 2020 com 21 pontos, sendo o representante do estado na Série B do Brasileirão. Atualmente é o time mais bem estruturado de Mato Grosso. Em nota, a diretoria do clube comunicou que suspendeu os treinamentos devido às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à propagação do coronavírus, e que após uma reunião entre a diretoria, comissão técnica e atletas ficou decidida a suspensão dos trabalhos. Nos últimos dias as redes sociais do clube tem mostrado os jogadores mantendo os treinos em suas casas. Dessa forma, não está nos planos do clube a dispensa de nenhum atleta. 

Operário (VG) – O Operário é o vice líder do Mato-grossense e no ano passado ficou em segundo lugar, se classificando para a Série D do Brasileiro em 2020 e para a Copa do Brasil. Dessa forma, o clube fez um bom investimento, inclusive foi cogitada a contratação do ex-goleiro do Flamengo, Bruno, condenado e preso por matar a modelo Elisa Samúdio. O que causou muita polêmica e a diretoria do clube teve que recuar. O Operário ainda não dispensou a maioria de seus atletas, apenas interrompeu as atividades de treinamento. A diretoria está tentando um acerto para continuar pagando os salários, já que tem a Série D pela frente. Porém, houve uma baixa importante, o técnico gaúcho Luiz Gabardo pediu rompimento do contrato para voltar para seu estado e ficar junto de seus familiares. Ele deixou em aberto a possível volta, caso não receba propostas de outros clubes.

União – O União é o terceiro classificado no Estadual e também vai disputar a Série D do Brasileirão em 2020. Contudo, a diretoria do clube informou que vai dispensar todos os integrantes do elenco, mas que estará em aberto para a recontratação para a disputa dos campeonatos que serão retomados. Apenas três jogadores moram em Rondonópolis, entre eles o goleiro Neneca, um dos jogadores mais experientes e importantes do elenco.

Luverdense – O LEC é o terceiro time mato-grossense na Série D do Brasileiro, já que disputava a Séris C em 2019 e acabou rebaixado. Em um comunicado nas suas redes sociais o Verdão do Norte informou que todas as atividades estão interrompidas desde o último dia 18. O clube disse ainda que assim que a situação for controlada vai informar o retorno das atividades. Até o momento nenhum jogador foi desligado de forma oficial.

Sinop – A diretoria do clube informou que está acertando com os integrantes do elenco e que vai liberar jogadores e colaboradores. Porém, deixou em aberto a recontratação caso aconteça o retorno do campeonato Estadual.

Poconé – O time do Pantanal é outro que está entre os oito que se classificaram para as quartas de final. Assim como os demais, a diretoria do clube está fazendo o acerto com jogadores e colaboradores, com o acordo de recontratação caso o campeonato Estadual seja retomado.

Nova Mutum – Estreante no Estadual da Série A, a diretoria do clube informou que a princípio irá manter os jogadores e colaboradores. Contudo, de acordo com o andamento da crise, deve dispensar todos com a possibilidade da recontratação para a disputa do estadual, caso retorne.  

Dom Bosco – No Azulão a situação é a mesma. Os jogadores foram dispensados, assim como a comissão técnica e colaboradores. Sendo que há uma possibilidade para a recontratação para a disputa do estadual, caso retorne.  

Mixto e Araguaia – Como essas duas equipes foram desclassificadas do Estadual e não disputam mais nenhuma competição em 2020, as suas diretorias informaram que todos os funcionários dos clubes foram dispensados.

CLUBES BRASILEIROS 

De acordo com informações da Agência Estado, desde a última semana, todos os times da Série A dispensaram os jogadores dos treinos para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Outra medida formulada pelos clubes para diminuir os gastos nesse período de quarentena foi de acionar o Ministério da Economia para pedir a interrupção do pagamento das parcelas do Profut, programa de refinanciamento de dívidas fiscais do futebol.

O Estadão informou ainda que os jogadores e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) solicitaram ajustes na primeira proposta feita pela Comissão Nacional de Clubes (CNC) e agora terão mais dois dias de prazo para dizerem se aceitam a nova oferta.

A CNC, que representa times das Séries A até a D do futebol nacional, pretende implementar mudanças para diminuir os impactos financeiros causados pela falta de jogos. Após a entidade ter uma primeira reunião na sexta-feira, nesta segunda houve um videoconferência com representantes de 46 times para reformular uma nova proposta aos jogadores e à Fenapaf após a primeira ter sido recusada.

As novas diretrizes foram obtidas pelo Estado e trazem como principais pontos as férias coletivas de 20 dias em vez de 30, como proposto anteriormente pelo clubes, e a manutenção de 10 dias de férias na virada para o ano de 2021. A principal novidade da última proposta está na redução salarial. Em vez de as equipes pagarem 50% a menos caso a suspensão do calendário durar mais de um mês, agora foi oferecido aos jogadores uma diminuição de 25% (inclui direitos de imagem e contrato CLT).

Porta-voz da Comissão Nacional de Clubes, o presidente do Fluminense, Mario Bittencourt, afirmou que as medidas são necessárias para evitar problemas financeiros. "O Fluminense já está sofrendo as consequências, como outros clubes. Tivemos patrocinadores cancelando contratos, estamos sem as receitas, obviamente, de bilheteria, venda de camisas, atrasamos o lançamento da nova camisa que seria hoje (segunda-feira) até. Estamos reduzindo muitas receitas, não tem como vender atletas", disse ao canal SporTV.

Além do Fluminense, representam a Série A nesta comissão o Palmeiras, o Bahia e o Atlético-MG. Presidente do time alvinegro, Sérgio Sette Câmara disse em transmissão ao vivo no YouTube nesta segunda-feira que os clubes estão unidos para renegociar os salários dos jogadores. "Nós todos sabemos que a maioria esmagadora dos clubes no Brasil passa por dificuldades financeiras. Deixar de ter receita e continuando a ter a despesa que é gerada todo mês acaba de inviabilizar tudo. Temos que nos unir para tentar salvar o futebol brasileiro, que corre risco", afirmou.

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