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Com desemprego, Altamira no Pará é o 2° município mais violento do Brasil

Altamira viveu uma das maiores transformações entre os municípios brasileiros na última década. Primeiro com a Usina de Belo Monte e depois a cidade viu a sua população dobrar. O Profissão Repórter acompanhou essas mudanças em Altamira. Em 2012, equipes do programa registraram centenas de trabalhadores que foram para a cidade.

Agora em 2019, a repórter Mayara Teixeira acompanhou um protesto nas ruas do município. “Nós criamos o Xingu Vivo naquela vez que ameaçou a vinda da barragem. Lutamos muito para que esses projetos não acontecessem”, conta a irmã Inês Wenzel, fundadora do grupo, “jogaram centenas e centenas de famílias aqui, abandonadas do centro, longes dos trabalhos, longes das escolas. Isso foi uma maneira de esvaziar a cidade da pobreza”.

Em 2016, o programa contou as histórias de quem teve que mudar de casa por causa da barragem. “Eu achava melhor lá embaixo, era alagado, mas a gente estava melhor lá”, diz a faxineira Sónia Rodrigues. Ela recebe alguns moradores do bairro em sua casa para falar da violência.

“As chacinas que rolaram no ano de 2017, pegando um pouco de 2018, boa parte vai depender do reassentamento. A criminalidade e a violência que vêm assombrando a nossa juventude tá dentro do reassentamento”, diz o coordenador do MAB, Igor Meirelles.

“Quando veio o deslocamento da gente, veio também o desemprego”, conta Sônia. Na casa, ela tem câmeras de segurança. Dona Sônia perdeu todos os filhos. Quatro foram mortos e uma morreu em um acidente de carro.

Massacre no presídio de Altamira

Em 2019, o presídio de Altamira foi palco do segundo maior massacre em prisões brasileiras. Sessenta e duas pessoas foram assassinadas no ataque de uma facção local.

No cemitério da cidade, o repórter Guilherme Belarmino encontrou Mateus Pimenta, padrasto do Efrain, de 22 anos, um dos jovens mortos no massacre. Ele havia sido preso por roubo de celular. “Tá certo que às vezes a pessoa erra, mas ele tava pagando, né? Ele errou, que tinha roubado um celular.”

No mesmo cemitério, uma outra família diante de um túmulo. Dilma da Silva perdeu os dois filhos, um deles nesse massacre. José tinha 18 anos e estava preso por tráfico de drogas. “Ele já estava há dois meses lá”, conta.

Depois do massacre, a polícia assumiu o comando do presídio, numa intervenção do governo do estado. A mudança na rotina gerou insatisfação entre as visitas.

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