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Com 210 quilos, jovem de 27 anos morre de Covid-19 no estado de Mato Grosso

Uma jovem de 27 anos morreu em decorrência da Covid-19, nessa sexta-feira (30) em Cuiabá. Lorrayne Camila Martins Gomes era moradora de Campinápolis, a 565 km da capital, mas chegou em Cuiabá por UTI aérea para tratamento da doença.

No entanto, não resistiu. Lorrayne teve complicações por causa da obesidade. Ela pesava cerca de 210 kg. A jovem já havia tomado a primeira dose da vacina contra a Covid-19, por ser do grupo de risco. No entanto, a segunda dose estava prevista ainda para este mês.

Ela começou a sentir os primeiros sintomas do coronavírus na semana passada e foi para o Hospital de Água Boa, que atende os moradores de Campinápolis.

Quando a oxigenação dela baixou para 60%, Lorrayne precisou ser intubada. A jovem precisava de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas na região não havia leitos em UTI para pessoas acima de 140 kg.

Lorrayne conseguiu ser regulada para a capital. Mas a única empresa que encontraram para fazer o transporte dela por UTI aérea, era de Goiânia e cobrou R$ 50 mil pelo serviço.

Por causa disso, a família da jovem organizou uma vaquinha para juntar o dinheiro. Lorrayne trabalhava como auxiliar na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campinápolis. O presidente da associação, Elvis Presley, conta que os comerciantes e moradores da região também se mobilizaram. "Todos se mobilizaram. Em algumas horas conseguimos juntar o dinheiro. Mas tiveram vários problemas burocráticos com o banco e a empresa. Então ela só conseguiu a transferência no outro dia. Mas o caso dela era urgente, então cada minuto fazia diferença", conta.

A empresa saiu de Goiânia, pegou Lorrayne em Água Boa e a encaminhou para Cuiabá. No entanto, já no voo, a saturação da jovem caiu para 30%. Quando chegou em Cuiabá, teve parada cardíaca, não resistiu e faleceu.

A vó e a irmã de Lorrayne também foram infectadas pela doença, mas estão com sintomas leves e se recuperam em isolamento domiciliar. O risco de morte pela Covid-19 é mais de 10 vezes maior em países onde a maioria da população adulta está acima do peso, segundo um relatório divulgado pelo Fórum Mundial de Obesidade.

Os pesquisadores do Fórum examinaram dados de mortalidade compilados pela Universidade Johns Hopkins (JHU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Eles descobriram que, das 2,5 milhões de mortes pela Covid-19 relatadas até o final de fevereiro, 2,2 milhões ocorreram em países onde mais da metade da população está acima do peso. Países em que menos de 40% da população estava acima do peso tinham uma taxa de mortalidade de Covid-19 de 10 pessoas por 100.000. Já nos países onde mais de 50% da população estava acima do peso, a taxa de mortalidade de Covid-19 era muito mais alta - mais de 100 por 100.000.

A conclusão da pesquisa é que a taxa de mortalidade da Covid-19 aumentava junto com a prevalência de obesidade nos países, mesmo após o ajuste por idade e riqueza nacional. Por isso, o Fórum Mundial de Obesidade sugere priorizar as pessoas obesas nas campanhas de vacinação contra a Covid-19.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) notificou, até domingo (1º), 490.574 casos confirmados da Covid-19 em Mato Grosso e 12.795 óbitos em decorrência da doença. Entre casos confirmados, suspeitos e descartados para a Covid-19, há 406 internações em UTIs públicas e 269 em enfermarias públicas. Isto é, a taxa de ocupação está em 68,12% para UTIs adulto e em 31% para enfermarias adultos.

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