BOCA NO TROMBONE ▸ SABORES

Chocolate com gosto do nosso Pantanal

O universo da chocolateria está cada vez mais requintado e sofisticado. Consumidores mais exigentes já não querem produtos carregados no açúcar ou com aditivos diversos. Os paladares estão apurados. Ainda bem que existem empresas trabalhando na produção de chocolates bean-tobar com castanhas de cacau da melhor qualidade e ingredientes selecionados que criam produtos inovadores e cheios de sabor.

É o caso da Angí Chocolates do Pantanal, da empresária sul-matogrossense Beatriz Branco. Ela e sua equipe criam barras de que misturam ao chocolate orgânico e vegano sabores de frutos do Pantanal e do Cerrado, biomas que conhece e convive desde sempre.

Ingredientes regionais como a castanha de baru, jatobá, pequi, urucum, laranjinha de pacu, banana da terra e guavira, fruto símbolo de seu estado natal, todos oriundos de comunidades tradicionais, são integrados aos chocolates.

O cacau orgânico é proveniente de Mato Grosso do Sul, da Bahia e do Pará. Beatriz reforça que participa de todos os processos de produção, desde a colheita até a fermentação. “As castanhas chegam secas e nós fazemos a torra e o descasque. Depois elas passam por processadoras de pedra para que se chegue ao ponto exato que necessitamos para a fabricação das barras”, detalha.

Os demais ingredientes, todos orgânicos, são também selecionados, desidratados e torrados, em alguns casos como o da castanha de baru. O produto é puro, sem nenhum tipo de aditivo.

Sobre a criação das barras de chocolate, Beatriz conta que o processo é feito a partir de testes sensoriais entre a equipe e depois com um público selecionado. Assim definem como inserir os frutos para alcançar uma harmonização perfeita, tanto de sabor, quanto de estabilização do chocolate para que derreta na boca e tenha boa durabilidade, mantendo suas características originais.

O peso das barras varia de 7g e 80g, até meio e um quilo. O percentual de chocolate vai 50 a 100%. Há ainda o chá de cacau, feito com as cascas das amêndoas, altamente nutritivo e saboroso; cacau em pó, em gotas, nibs, além de farinha de bocaiúva e granola pantaneira, com várias frutas.

Em datas especiais, como dia dos pais, das mães, namorados, produzem kits para presentear, compostos pelas barras, por tortinhas, vinhos e cerveja preta que harmonizam com os chocolates.

Na loja tem ainda sabonete de cacau, produzido por uma marca parceira.

Uma nova linha de chocolate branco está em produção, feita exclusivamente de manteiga de cacau, extraída na própria fábrica, e leite de coco.

Sendo designer de produtos de formação, Beatriz pensou em todos os detalhes. As embalagens trazem fotos da fauna e flora pantaneiras. São biodegradáveis e compostáveis, ou seja, no prazo de até seis meses viram adubo, inclusive o plástico. As barras de chocolate apresentam texturas que remetem a árvores e rios do Pantanal. O nome da marca, Angí, vem de angico branco, árvore preferida de Beatriz.

Ela reforça que tudo isso faz parte da sua vida desde pequena. “Com o Angí, estamos trazendo para quem come o nosso chocolate um pouco da nossa cultura e da nossa história, revelando esse senso de pertencimento através do gosto”. Ela lembra que estão “educando” o consumidor a apreciar um chocolate mais puro e com sabor original.

Beatriz é porta-voz do movimento mundial Slow Food, responsável pelo bioma do Pantanal, na educação do alimento limpo e justo e conexão dos povos e alimentos tradicionais. A empresa tem um forte vínculo com a bioeconomia e envolvimento com comunidades locais.

Por enquanto, os produtos são comercializados na loja da fábrica, em Campo Grande, para empórios, alguns supermercados, padarias, hotéis e pela internet (angichocolates.com), bem como em Corumbá e Bonito, polos turísticos regionais.

Nos próximos meses, quando as obras da nova fábrica foram concluídas, os chocolate Angí serão comercializados em todo o Brasil.

A capacidade atual é de meia tonelada por mês e na nova fábrica será de 5 toneladas/mês. A equipe de produção composta hoje por sete pessoas, todas mulheres, será ampliada para 20. A empresária reforça que trabalha com todas as idade e recortes, incluindo mulheres trans, e que se preocupa muito com a empregabilidade feminina.

Embaixadora do programa Ela Faz História e da Rede de Líderes da empresa Facebook, na educação do empreendedorismo feminino.

A ideia da empresa nasceu em 2017 quando Beatriz fazia o Empretec - capacitação do Sebrae focada no desenvolvimento das habilidades empreendedoras. Quatro meses depois, ela participou de dois editais e acabou entrando em uma incubadora de alimentos em Campo Grande, onde permaneceu por dois anos.

Esta semana (dia 13), ela esteve em Mato Grosso, em Poconé, participando do evento Bioeconomia e pagamento por serviços ambientais: Como o Bioma Pantanal pode contribuir para gerar negócios sustentáveis, organizado pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade como parte do Programa Pró Pantanal.

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