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Candidato à presidência, Marco Aurélio Cunha pode mudar eleição que parecia decidida no São Paulo

A entrada de Marco Aurélio Cunha no cenário eleitoral do São Paulo muda uma eleição que parecia decidida. Júlio Casares, membro do Conselho de Administração, apoiado por Leco e pelo ex-presidente José Eduardo Mesquita Pimenta, será o favorito absoluto numa disputa direta com Roberto Natel. Se Marco Aurélio for o candidato no lugar de Natel, criará um movimento de fora para dentro do Morumbi. Ele é admirado por sócios e torcedores, pode mudar o quadro eleitoral e produzir a mais disputada eleição para a presidência dos últimos trinta anos.

Mas Marco Aurélio ainda é pré-candidato, porque, em tese, disputa a indicação do grupo de oposição com Roberto Natel, sobrinho de Laudo Natel, falecido mês passado. Natel é vice-presidente de Leco e seu nome não cria o impacto externo de Marco Aurélio, médico do clube nos títulos dos anos 1980, superintendente na época do Mundial de 1995 e do tri brasileiro de 2006, 2007 e 2008.

A provável disputa entre Marco Aurélio Cunha e Julio Casares significa renovação do cenário político. Mesmo que Marco Aurélio tenha 66 anos e Casares complete 56 em julho, ainda que sejam quadros presentes no clube há mais de duas décadas, representam uma disputa de lideranças novas como há muito tempo não há. A última disputa acirrada, com o debate envolvendo as questões fundamentais do São Paulo, aconteceu nos anos 1980, entre Antônio Leme Nunes Galvão e Juvenal Juvêncio.


Daquela vez, Galvão saiu perdedor por um voto em 1988 e ganhou a assembleia dos sócios em 1990, entregando o poder a José Eduardo Mesquita Pimenta. Roberto Natel mantém a imagem da disputa restrita aos jardins do clube e para fora dessa fronteira que o São Paulo precisa voltar a olhar. Marco Aurélio traz para dentro do debate uma parcela considerável da torcida e dos sócios que não sairiam de casa para votar sem um debate real para fazer o time de futebol voltar a ser vencedor.

Isto importa, porque antes da eleição no Conselho Deliberativo para escolher o presidente, a assembleia dos sócios elegerá cem novos conselheiros e a chapa vencedora terá enorme chance de eleger o presidente. Se Marco Aurélio convencer Laudo Natel de que a chance da oposição será maior com ele candidato, o debate irá se acirrar e a eleição vai mudar. Vai fazer bem para o São Paulo.

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