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Botelho descarta RGA integral em MT e projeta recomposição parcial de salário em 2020

As expectativas de recomposição salarial para os servidores públicos de Mato Grosso não são nada boas. Isso porque as projeções - otimistas - do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Eduardo Botelho (DEM), desconsideram o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) integral. O que há no horizonte é a possibilidade de amenizar as perdas inflacionárias sobre o poder de compra do funcionalismo.
 
Botelho concedeu entrevista na noite de segunda-feira (14) ao programa de televisão “Emparedado” e destacou as medidas tomadas no começo do ano pela gestão Mauro Mendes (DEM) para evitar crescimento no déficit de Mato Grosso.
 
“Primeiro nós temos que trabalhar para ter condições de pagar. O Estado tem que ter condições e para isso nós tomamos certas providências, o governo e a Assembleia Legislativa, que foi a primeira medida segurar os gastos e isso foi feito não autorizando nenhuma contratação nova, diminuindo os cargos comissionados, diminuindo gasto com várias outros custeios que eram possíveis. Um deles também é não deixar aumentar mais a folha de pagamento. Isso foi feito”, afirmou.
 
“E agora, na outra ponta, que é aumentar a arrecadação, também foi feito, nós aumentamos o Fethab, fizemos uma revisão nos incentivos e isso vai dar um reflexo para o próximo ano. Agora, nós queremos que aguardar qual vai ser o tamanho desse reflexo que vai acontecer. Eu acredito que vai ser possível, sim, pagar parte da RGA. Todo o RGA com certeza não vai ser possível pagar, mas parte dele acho que começa a pagar no ano que vem”, completou.
 
Botelho defendeu que há vontade política para evitar perda no poder de compra dos funcionários públicos, mas argumentou que o Estado não pode se endividar ainda mais. “Eu tenho certeza que o governador Mauro Mendes é o que mais anseia pagar a RGA. Ele não está  pagando porque realmente não pode ser irresponsável”, argumentou.
 
“O governo Pedro Taques começou com um déficit em torno de R$ 600 milhões a R$ 1 bilhão e entregou com R$ 3 bilhões. Será que seria plausível a gente pegar um Estado com R$ 3 bilhões e entregar com R$ 10 bilhões de déficit? É o caos. O estado não tem como emitir moeda”, pontuou.

Botelho também rechaça a tese de que somente os servidores do Executivo estão sendo penalizados no atual momento, uma vez que demais poderes e órgãos autônomos têm conseguido honrar as reposições salariais.

“Não é que [funcionário público] está pagando preço. Você não fala assim, você tem que olhar os poderes. Um é Executivo, o outro é o Legislativo e o Judiciário e os órgãos independentes, Ministério Público, TCE... O que acontece com esses órgãos, eles estão dentro dos seus limites. Quem saiu do limite é o Executivo, não é a Assembleia. Nós fizemos uma PEC do Teto e ano passado essa PEC estourou em mais de R$ 600 milhões. Quem estourou em R$ 600 milhões? Só foi o Executivo que estourou. Ele mesmo mandou a PEC e ele mesmo estourou, passaram do limite”

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