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Biden se defende, se repete e retrata a saída caótica do Afeganistão como êxito

Num discurso para marcar o fim desastroso da guerra mais longa dos EUA, o presidente Joe Biden ficou na defensiva e se mostrou repetitivo. “Era uma escolha entre a saída ou a escalada militar”. “Eu não estenderia esta guerra para sempre e não estenderia uma saída para sempre.” “A ameaça terrorista se espalhou por todo o mundo, muito além do Afeganistão.” “É hora de olhar para o futuro e não para o passado.”

Suas palavras eram endereçadas apenas ao público americano. Aos compatriotas, Biden enumerou as vantagens de retirar as tropas do Afeganistão e encerrar a guerra: livrar-se do custo diário de US$ 300 milhões durante duas décadas, focar em uma competição séria com a China e enfrentar os desafios que a Rússia apresenta ao EUA.

Uma terceira década de permanência no Afeganistão seria inviável, conforme constatou o presidente. Os americanos parecem concordar. Uma pesquisa do Pew Research revelou que 54% dos entrevistados apoiam a decisão de retirar as tropas; 42% a classificam como errada e consideram pobre a estratégia de saída conduzida pelo presidente.

Faltou na mensagem de Biden o reconhecimento aos afegãos, sobretudo aos que trabalharam com os EUA nos últimos 20 anos e ficaram para trás, sob o domínio dos talibãs. O presidente se vangloriou da operação que em duas semanas retirou do país 120 mil pessoas, 5.500 com cidadania americana. Mas estima-se que cerca de 100 mil em situação vulnerável não conseguiram sair.

 

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