ECONOMIA ▸ AGRICULTURA

Agricultoras e quilombolas geram renda com receitas tradicionais em Alagoas

Gerar renda com alimentos colhidos nos quintais e transformá-los em receitas tradicionais. Este é o trabalho de 48 mulheres das comunidades quilombolas Povoado Sapé e Tabuleiro dos Negros, na zona rural do município de Igreja Nova, em Alagoas.

Na roça, elas plantam amendoim, mandioca e milho que viram bolos, beijus, pamonhas, broas de milho, pés de moleque e sequilhos de tapioca.

Os produtos são vendidos em feiras, para programas de governo, como a merenda escola, e vizinhos, conta a presidente da Associação de Mulheres Agricultoras, Quilombolas e Pescadoras do Povoado Sapé, Maria Quitéria Pereira Matias.

O diferencial é que não tem nada industrializado. "A comida da gente é natural, não tem fermento, não tem química, a gente não trabalha com nada disso", diz Maria Quitéria.
Para fazer os bolos crescerem, por exemplo, as agricultoras usam a puba, uma massa extraída da mandioca que incha quando colocada no forno quente. Elas só cozinham no fogão de carvão e a lenha. E, para adoçar, açúcar de coco.

O objetivo de tudo isso é valorizar a "comida da roça, do quilombo".

"Mas, mais do que o dinheiro, o que eu percebi que mudou na vida delas é que hoje elas se sentem importantes. Elas faziam muitas coisas, trabalhavam na roça com os maridos, mas, quando alguém perguntava se elas trabalhavam, elas respondiam que não. Hoje elas respondem ‘a gente trabalha’", conta a presidente.

Comentários