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300 pantaneiros estão sendo capacitados para auxiliar no combate a incêndios florestais

O Corpo de Bombeiro pretende capacitar cerca de 300 pessoas, moradoras ou trabalhadores da região do Pantanal Mato-grossense, para auxiliar no combate aos incêndios florestais. Os treinamentos começaram no começo deste mês e tem o objetivo de preparar a região para enfrentar a estiagem, quando se registra o aumento dos focos de calor.

O tenente do Corpo de Bombeiro Thiago Soares, do 1º Pelotão Independente Bombeiro Militar de Poconé, explica que serão dois tipos de curso. Um deles de nivelamento para a formação de pessoas habilitadas em tomar as primeiras medidas até a chegada dos bombeiros e auxiliar em um momento de crise, como o vivenciado no ano passado, quando mais de 15% do bioma foi consumido pelas chamas.

Já o segundo, é para formação de brigadistas. Este terá um número limitado de vagas. Segundo Soares, serão 60 pantaneiros, que serão divididos em duas equipes, uma ficará instalada na região de Porto Cercado e outra em São Pedro de Joselândia.

Raul Santos Neto, presidente do Sindicato Rural de Poconé e membro do grupo Guardiões do Pantanal, acredita que a ação está sendo revolucionária e audaciosa para a região. Ele contextualiza que a demanda foi apresentada pelos Guardiões do Pantanal no ano passado, desde que a região foi alvo de uma tragédia por conta dos incêndios.

Na opinião dele, dois fatores foram essenciais na concretização do projeto, a presença do Batalhão do Corpo de Bombeiros em Poconé e a dedicação dos que atuam na unidade.  “Os bombeiros do batalhão foram muito atenciosos. Eles tiveram que se aperfeiçoar para serem multiplicadores e mudar toda estratégia de ensino para se adaptar às limitações trazidas pela covid. Nós só temos a agradecer”, avalia Raul.
 
Qual resultado se espera do trabalho
 
O tenente Thiago Soares explica que o maior objetivo do curso é uniformizar a comunicação e os protocolos de atendimento para que comunidade e Corpo de Bombeiros atuem de forma integrada e eliminem o incêndio o mais rápido possível.

No nivelamento, também são abordadas as ações preventivas, como a confecção dos aceiros, manutenção de maquinários, organização dos funcionários da fazenda, bem como a comunicação entre os vizinhos e os bombeiros.

Diferente dos brigadistas, que ficarão instalados em pontos fixos, como o Sesc Porto Cercado, os demais pantaneiros qualificados estarão distribuídos em cinco regiões diferentes -  ao longo da Transpantaneira nos km 30,60 e 120, em Porto Cercado e na estrada Boqueirão.

Por esse motivo, há a preocupação com a seleção dos participantes, para assim permitir a descentralização, já que os moradores capacitados irão atuar perto de onde moram em caso de incêndio.
 
Com funciona do curso
 
Para as pessoas que passaram pelo curso de nivelamento, foram 16 horas de instrução, divididas entre atividades teóricas e práticas. Entre os temas trabalhados estão propriedades do fogo, propriedades dos agentes extintores, características do incêndio florestal, tipos de combate ao incêndio florestal  - direto e indireto-, organização de pessoas e maquinários, atendimento pré-hospitalar, normas técnicas da Sema, geotecnologias aplicadas ao incêndio florestal (aplicativos de celular que auxiliam no combate ao incêndio florestal). Já o curso de brigadistas, contempla mais horas e mais aprofundamento nos temas.

O tenente Thiago Soares diz que dentro da metodologia aplicada, há a apresentação dos temas e, em seguida, uma troca de experiências, na qual os pantaneiros repassam os seus saberes da região e os peritos do Corpo de Bombeiros os conhecimentos técnicos.

Com relação às dúvidas mais comuns entre os alunos, segundo o facilitador, estão as relativas ao uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI), a formação e manutenção dos aceiros, bem como as formas com que a comunicação entre eles e os bombeiros será estabelecida.
 
Quem são os Guardiões do Pantanal
 
Os Guardiões são um grupo formado por integrantes das cadeias produtivas do Pantanal Mato-grossense. Eles se uniram após o desastre ambiental das queimadas, vivido em 2020, e pretendem realizar e apoiar ações que contemplem o desenvolvimento sustentável da região e a valorização da cultura pantaneira.

Também irão acompanhar e cobrar mudanças na legislação e a implantação dos projetos de infraestrutura que auxiliem a sobrevivência e evitem que a região seja consumida pelo fogo.

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