Empresa de irmão de procurador preso em operação milionária presta serviços à Câmara de Poconé
Fonte: 04/08/2025 ás 23:56:21 2211 visualizações

A Câmara Municipal de Poconé (104 km de Cuiabá) mantém contrato ativo com o escritório Vasconcelos de Moraes Advogados Associados, alvo de atenção após o envolvimento direto de familiares em um dos maiores escândalos jurídicos recentes de Mato Grosso.

O advogado Wagner Vasconcelos de Moraes, irmão de um dos sócios do escritório contratado pela Câmara de Poconé foi preso durante a Operação Sepulcro Caiado, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual. 

O advogado Wagner Vasconcelos de Moraes, ex-procurador jurídico e fiscal da Prefeitura de Poconé (a 104 km de Cuiabá), e sua esposa, a também advogada Melissa França Praeiro Vasconcelos de Moraes, foram presos durante a Operação Sepulcro Caiado, que apura fraudes processuais milionárias no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT)

O casal, que integra o escritório França & Moraes, com sede em Cuiabá, é acusado de representar judicialmente supostas vítimas que sequer os conheciam, utilizando procurações forjadas e simulando acordos com pagamentos “espontâneos” que ultrapassam R$ 600 mil em diversos processos. Segundo o inquérito, os valores eram levantados de forma irregular, com base em documentos falsos, e transferidos diretamente para a conta do escritório.

Um dos casos envolve L.C.C.J., que afirma jamais ter assinado qualquer acordo com o escritório, tampouco reconhecer os pagamentos que lhe foram atribuídos. Ainda assim, há registros de “quitação” de quase R$ 95 mil em um único processo

O casal operava, segundo a investigação, em conjunto com o advogado João Gustavo Ricci Volpato, já apontado como peça central no esquema, e com o também advogado Themis Lessa da Silva, que figurava como defensor da parte executada, embora não possuísse procuração válida, nem houvesse qualquer outorga registrada nos autos. Themis era o responsável por “renunciar” aos prazos recursais, facilitando a liberação de alvarás milionários com base em dados manipulados

A Justiça determinou o bloqueio de bens do casal no valor de R$ 21.754.630,99, incluindo imóveis em Cuiabá. O cerco judicial abrangeu mandados de busca, apreensão e prisão preventiva. O Ministério Público e a Polícia Civil apuram indícios de falsidade ideológica, associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.



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