BEM VINDO / POCONÉ - MT, 06 DE DEZEMBRO DE 2023
Poconet
EUA não classificam áreas no Pantanal de Poconé como de alto perigo; Mato Grosso do Sul na mira
CLASSIFCAÇÃO

O governo dos Estados Unidos colocou uma extensa faixa de Mato Grosso do Sul no nível máximo de alerta para viagens. A recomendação aos norte-americanos é direta: não entrar em áreas localizadas a até 160 quilômetros das fronteiras brasileiras com o Paraguai e a Bolívia.

Esse aviso alcança grande parte da região sul e oeste do Estado, onde estão cidades como Corumbá, Ladário, Porto Murtinho, Bela Vista, Ponta Porã, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Mundo Novo.

O alerta foi atualizado para incluir o risco de sequestro no Brasil. Segundo o governo norte-americano, crimes violentos, como assassinatos, roubos armados e furtos de veículos, podem ocorrer de dia ou à noite. A publicação também menciona a atuação de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas.

As regiões de fronteira receberam a classificação “nível 4”, a mais grave da escala norte-americana. A orientação usada é “não viaje”. Funcionários do governo dos Estados Unidos precisam de autorização especial para entrar nessa faixa.

Mas há um trecho capaz de confundir até quem conhece o mapa: o aviso afirma que a restrição não vale para o “Parque Nacional do Pantanal”. Isso não significa que todo o Pantanal esteja fora do alerta.

A exceção se refere ao Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, localizado no município de Poconé, em Mato Grosso. Portanto, ela não libera automaticamente os destinos do Pantanal sul-mato-grossense nem retira Corumbá e Ladário da área indicada como de risco.

O texto também não coloca Mato Grosso do Sul inteiro na zona de alerta. Campo Grande está fora da faixa de 160 quilômetros. Municípios que não ficam exatamente na linha de fronteira, porém, podem ser alcançados pelo raio estabelecido pelos Estados Unidos.

Para o prefeito Eduardo Campos (PSDB), de Ponta Porã, a classificação é um “exagero gritante”. Na avaliação dele, o alerta não prejudica a imagem da cidade nem o turismo local.

“Ponta Porã é uma cidade que tem um clima absolutamente tranquilo. Esse clima que estão tentando vender não é uma realidade. Não imagino que a Prefeitura tenha que tomar nenhuma medida concreta com relação a isso. É vida que segue, a gente vai continuar tocando a nossa vida aqui com normalidade dentro daquilo que a gente entende que seja bom para a cidade”, disse à reportagem.

Já em Corumbá, a cerca de 600 quilômetros de Ponta Porã, o prefeito Gabriel Alves de Oliveira (PSB), avalia que é preciso reconhecer os desafios existentes na região de fronteira, mas sem transformar a classificação em um retrato da cidade inteira. “É preciso separar as coisas. A fronteira, por sua própria característica, exige atenção permanente e não podemos ignorar a atuação de organizações criminosas e os crimes transnacionais que existem nessa região”, afirmou.

Segundo Gabriel, Corumbá tem uma população que vive e trabalha normalmente, além de receber turistas e manter uma relação histórica, cultural e econômica com a Bolívia. Para ele, o alerta pode afetar a percepção de quem planeja uma viagem, mas não deve ser interpretado como uma avaliação específica sobre a segurança do município.

“Temos que trabalhar para mostrar a realidade da cidade com transparência, sem esconder os desafios, mas também sem permitir que eles sejam generalizados”, disse. O prefeito também destacou que a segurança da fronteira não é uma atribuição exclusiva do município e defendeu o trabalho conjunto entre as forças de segurança estaduais, federais e municipais.

Gabriel citou como exemplo a Operação Integrar - Fronteira Pantanal, realizada em março deste ano, que reuniu Polícia Militar, Polícia Civil, DOF (Departamento de Operações de Fronteira), Polícia Federal, PRF (Polícia Rodoviária Federal), Receita Federal, Forças Armadas, Ministério Público, Guarda Municipal e Agência Municipal de Trânsito de Corumbá.

Para o prefeito, a estratégia deve envolver integração, inteligência, presença ostensiva e ações permanentes de prevenção e repressão ao crime organizado. “A Prefeitura vai continuar fazendo aquilo que está dentro das suas atribuições e, principalmente, cobrando e trabalhando em parceria com quem tem competência direta sobre a segurança de fronteira”, afirmou.

Outras regiões do Estado

Episódios da disputa entre organizações criminosas pelo território sul-mato-grossense não ficam restritos à área fronteiriça, e as investigações apontam para o envolvimento de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho). De Corumbá, na fronteira com a Bolívia, ao leste do Estado, a violência tem colocado diferentes cidades no radar das forças de segurança.

Em Corumbá, onde o soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, de 32 anos, foi morto durante uma perseguição a bandidos, a própria PM (Polícia Militar) aponta que o conflito estaria relacionado a um desacordo interno entre traficantes pelo controle da droga que entra no Estado pela fronteira com a Bolívia.

Na época, o comandante-geral da corporação, coronel Renato dos Anjos Garnes, afirmou que o chamado “arrocho”, termo usado para o desvio ou roubo de carregamentos de entorpecentes, está entre os motivos da violência registrada na região.

Já em Maracaju, a 159 quilômetros de Campo Grande, a Polícia Civil passou a investigar a possibilidade de que a execução de Deborah Martines Escardin, de 32 anos, esteja relacionada ao embate entre o PCC e o CV. Ela foi morta a tiros dentro de uma casa na noite de domingo (13), enquanto um homem de 43 anos também foi baleado. Dois homens invadiram o imóvel e efetuaram diversos disparos.

Outro caso marcante, ocorrido em Cassilândia, mais ao leste do estado, matou Márcio Aparecido da Silva Filho, de 27 anos, e a filha de apenas 3 anos. A principal linha de investigação é de que o ataque tenha relação com a guerra entre facções. Dias antes, Márcio havia sobrevivido a outro atentado e teve o nome incluído em uma lista atribuída ao CV.

Fonte: Da Redação
Notícia Postada em 16/09/2026 as 15:23