BEM VINDO / POCONÉ
- MT,
06 DE DEZEMBRO DE 2023 |
| Turistas alemães flagram urubu tentando se equilibrar sobre jacaré morto no Pantanal de MT |
| NATUREZA |
A cena de um urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) tentando se equilibrar sobre a carcaça de um jacaré no Rio Cuiabá, em Mato Grosso, chamou a atenção de um guia de turismo e quatro turistas alemães durante um passeio pelo Pantanal. Tudo foi registrado pelo guia Mateus Filipe Rauber, tem mais de 820 mil visualizações nas redes sociais. Segundo Mateus, encontrar urubus sobre carcaças de animais mortos não é incomum durante os passeios pela região. O que surpreendeu foi a dificuldade da ave em permanecer sobre o jacaré, que estava boiando no rio. O grupo, que contava também com o piloto da embarcação, chegou a rir da situação, mas deixou o local logo depois para não interferir na alimentação do animal. “Todos deram risada diante do urubu tentando se equilibrar. Após o vídeo logo saímos até para não atrapalhar a caça do urubu”, disse. Mateus disse que já havia presenciado outras vezes urubus sobre carcaças no Pantanal e que também é comum encontrar animais mortos boiando na região do rio em que o registro foi feito — na localidade de Porto Jofre, em Poconé (MT). Segundo ele, em algumas situações, onças aproveitam esses restos. A presença de uma carcaça no ambiente, porém, faz parte de uma dinâmica que vai além da cena curiosa registrada pelo guia. De acordo com o biólogo Danilo Freitas Rangel, animais mortos podem servir de alimento para diferentes espécies à medida que o processo de decomposição avança. “Uma carcaça desse porte serve de alimento para diversas espécies de animais e, conforme o processo de decomposição avança, alimenta desde grandes e médios vertebrados até peixes e invertebrados”, explicou. Nesse processo, os urubus têm papel importante na retirada da matéria orgânica do ambiente. Para Danilo, a atuação dessas aves representa um serviço ecológico que muitas vezes passa despercebido. “Os urubus têm uma importância ecológica singular e prestam um serviço ambiental imensurável para nós, trazendo benefícios diários que muitas vezes passam totalmente despercebidos.” Orientação é não interferir No vídeo, o jacaré aparece inchado e boiando no Rio Cuiabá. Mateus estima que o animal estivesse morto havia cerca de dois dias, mas não identificou sinais que permitissem apontar a causa da morte. De acordo com Danilo, o inchaço observado é compatível com o processo natural de decomposição. Após a morte, a formação de gases no corpo pode fazer com que a carcaça permaneça na superfície da água. A causa da morte, no entanto, não pode ser determinada apenas pelas imagens ou pela observação da carcaça. Segundo o biólogo, seria necessária uma análise técnica, como uma necropsia, para identificar o que aconteceu. Para o biólogo, situações como a registrada no Rio Cuiabá devem ser observadas sem interferência humana, permitindo que a dinâmica natural continue. "Observar para preservar", resume Danilo Rangel. A orientação também foi seguida pelo grupo que registrou a cena. Depois de filmar o urubu tentando se equilibrar, Mateus e os turistas se afastaram para não atrapalhar a alimentação da ave. Para o guia, episódios como esse mostram que a vida selvagem não é composta apenas por grandes momentos de caça ou de tensão, mas também por situações cotidianas e imprevisíveis. "A natureza sempre nos presenteia com cenas belas, engraçadas e de tirar o fôlego, basta nos dedicarmos um pouco a ela, preservando e nos conectando a ela." |
| Fonte: Da Redação |
| Notícia Postada em 21/08/2026 as 17:02 |