BEM VINDO / POCONÉ - MT, 06 DE DEZEMBRO DE 2023
Poconet
Justiça determina tornozeleira e bloqueia R$ 1 milhão da mãe do prefeito de Livramento
ESTELIONATO

A Polícia Civil deflagrou nessa terça-feira (27.01) a Operação Vínculo Quebrado e cumpriu medidas cautelares contra Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, de 53 anos, que passará a usar tornozeleira eletrônica, está proibida de viajar para fora do país e teve valores bloqueados em contas bancárias. Ela é investigada por aplicar golpes ao usar o nome do próprio filho, o prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Thiago Gonçalo de Almeida, para atrair investidores em Várzea Grande e Cuiabá.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá e cumpridas pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande (DEEVG). Além da monitoração eletrônica e da apreensão do passaporte, a investigada está proibida de se cadastrar em plataformas de apostas on-line e teve determinado o bloqueio e sequestro de valores até o limite de R$ 1 milhão.

A decisão judicial também impôs restrições de circulação, incluindo a proibição de frequentar determinados locais, entre eles o próprio estabelecimento comercial, além da proibição de contato com as vítimas, exceto por intermédio de advogado. A investigada deverá ainda comparecer trimestralmente em juízo e cumprir recolhimento domiciliar no período noturno.

Segundo a investigação da Delegacia Especializada de Estelionato e Outras Fraudes, a mulher utilizava indevidamente o nome do filho para captar recursos sob a alegação de que os valores seriam investidos em empresas supostamente prestadoras de serviços ao município. A estratégia, conforme a Polícia Civil, tinha como objetivo conferir credibilidade às abordagens e atrair investidores.

As apurações apontam que ela afirmava administrar empresas que teriam vencido licitações municipais, o que não se confirmou. De acordo com o delegado André Luis Prado Monteiro da Silva, considerando apenas as vítimas que formalizaram denúncia, o prejuízo ultrapassa R$ 913 mil.

As vítimas teriam sido enganadas desde o final de 2024, com promessas de lucros elevados. Conforme a investigação, a mulher acumulava dívidas em razão do vício em jogos on-line e passou a usar recursos de novos investidores para pagar credores anteriores, até que, no fim de 2025, não conseguiu mais manter a fraude.

Oito vítimas já compareceram à Delegacia. A investigada foi indiciada pelos crimes de estelionato e falsa identidade. O prefeito, segundo a Polícia Civil, figura como vítima específica do uso indevido de seu nome.

O delegado alertou ainda que pessoas que emprestaram dinheiro à investigada com cobrança de juros abusivos podem responder por crimes previstos na Lei de Usura e contra a Economia Popular. Cópias do inquérito foram encaminhadas à 3ª Delegacia de Polícia de Várzea Grande para apuração desses fatos.

"O objetivo das medidas judiciais é garantir que a investigada responda ao processo sem risco de fuga e assegurar, na medida do possível, o ressarcimento às vítimas", afirmou o delegado.

A Polícia Civil destacou que a prisão preventiva poderá ser decretada a qualquer momento, caso haja descumprimento das medidas impostas.

O nome da operação, Vínculo Quebrado, faz referência à quebra de confiança e ao uso de relações pessoais, familiares e profissionais para a prática dos crimes.

Fonte: Da Redação
Notícia Postada em 28/01/2026 as 18:33