BEM VINDO / POCONÉ
- MT,
06 DE DEZEMBRO DE 2023 |
| Quilombolas clamam por socorro judicial após serem impedidos de enterrar seus mortos em Poconé |
| AJUDA |
A comunidade quilombola do Carretão, na zona rural de Poconé (MT), enfrenta sérios conflitos com invasores que tomaram parte do território tradicionalmente ocupado por famílias remanescentes de quilombolas há quase 300 anos. Os moradores denunciam ameaças, desmatamentos ilegais, fechamento de estradas, contaminação de nascentes e, mais grave, o impedimento do acesso ao cemitério onde estão sepultados seus antepassados. Segundo Luciana Gonçalves, presidente da comunidade, os moradores não conseguem mais sequer limpar o cemitério. "Nossos bisavôs e avós estão enterrados ali. Um matagal tomou conta do local, e os invasores cercaram tudo. A última vez que enterramos um parente foi com muito medo. Tivemos que passar o caixão por cima da cerca, no meio do pasto", desabafou. A situação foi levada aos agentes do Ministério Público da União (MPU), que estiveram na última quarta-feira dia 18 de junho de 2025 na comunidade para uma diligência. Dois policiais do MPU visitaram a área desmatada e o cemitério, constataram as denúncias e ouviram relatos emocionados dos moradores. Mesmo assim, os quilombolas temem que nada mude sem a ação urgente da Justiça Federal. O senhor Claro Santana, de 75 anos, morador do Carretão, relatou que sua família vive na área há gerações. "Meu pai nasceu aqui em 1912 e está enterrado nesse cemitério. Já até atiram em direção nossa casa, vivemos com medo. Mas não sairemos, porque essa terra é nossa de direito. Só falta a lei ser cumprida", afirmou. A área, de mais de 850 hectares, já foi reconhecida há mais de 15 anos pela Fundação Palmares como território quilombola. De acordo com a comunidade, os dois irmãos invasores falsificaram documentos e, com o apoio de bons advogados e do cartório da cidade, não apenas cercaram o território, como também destruíram a vegetação nativa, tamparam nascentes e reduziram o volume dos cursos d"água, até desviar o curso do riacho conhecido como "Córrego do Nilo". A terra tradicional foi transformada em pastagem. Atualmente, o local é utilizado para criação de gado, enquanto os moradores continuam proibidos de transitar por suas próprias terras. A lentidão do sistema judiciário agrava a situação. Mesmo com o reconhecimento oficial do território, os processos de regularização e expulsão dos invasores seguem emperrados. "Estamos pedindo apenas o que é nosso por direito. Queremos segurança para cuidar da nossa história e enterrar nossos mortos em paz", finalizou Luciana Gonçalves. Diante desse cenário, a comunidade do Carretão pede providências urgentes da Justiça Federal e dos órgãos competentes, como o INCRA, a Fundação Palmares e o Ministério dos Direitos Humanos, para garantir a proteção do território, da memória ancestral e da dignidade das famílias quilombolas que resistem em Poconé Mato Grosso. |
| Fonte: MT em Foco |
| Notícia Postada em 19/06/2025 as 08:38 |