BEM VINDO / POCONÉ
- MT,
06 DE DEZEMBRO DE 2023 |
| Fogo no MT: incêndio atinge casa das onças no Pantanal em Poconé |
| QUEIMADAS |
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O Parque Estadual Encontro das Águas, localizado ao sul do Mato Grosso, entre os municípios de Barão de Melgaço e Poconé, completou uma semana em chamas nesta segunda-feira (13), segundo informações de pesquisadores do local e do Instituto SOS Pantanal. Após um incêndio que começou no início do mês de outubro, a reserva voltou a pegar fogo no dia 6 de novembro e até a publicação desta reportagem não foi controlado. Estimativas da plataforma do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da UFRJ indicam que, no acumulado de focos do ano, 34% do parque foi queimado, totalizando 37,2 mil hectares. Na média mensal, o total de área queimada em outubro (21.025 hectares) foi quase 5 vezes maior que a média histórica (4.520 hectares). É a pior crise do parque na série histórica, depois de 2020, quando a mesma região teve mais de 90% da área atingida pelo fogo. De acordo com a veterinária do Projeto Jaguar Identification, Helena Aimée, havia cerca de 30 bombeiros espalhados na região do parque até a semana passada. Segundo a veterinária, a área de proteção não possui plano de manejo contra incêndios. Helena estuda o comportamento das onças-pintadas na região de Porto Jofre. Local que abriga a maior densidade de onças-pintadas do mundo, o parque é cortado pela Transpantaneira e é lugar de uma rica diversidade de vida selvagem, ponto de encontro de turistas e pesquisadores do mundo todo. O Terra da Gente, durante uma expedição nesta região, encontrou onze onças. "O governo estadual demorou para enviar pessoas para combater o fogo e mandou um número insuficiente, tanto que por isso eles pediram ajuda para o governo federal. Agora o combate aos incêndios é responsabilidade do governo federal e o estadual vai dar apoio. [...] Queimou tudo, queimou perto dos rios Caxiri, São Pedrinho, Três Irmãos, Cuiabá, lambeu o parque inteiro", conta Helena. Animais novamente em perigo Um dos registros mostra uma onça acuada, perto de uma área em chamas. Os pesquisadores também fotografaram uma série de animais mortos, dentre anfíbios, répteis, mamíferos e aves. Além das chamas, a fumaça é um fator que também ameaça a sobrevivência dos bichos. "É um filme de terror, de fato, a quantidade de bicho que morre. Geralmente são mostrados os mamíferos, né? Mas quando você anda na floresta, a quantidade de répteis e pássaros que morre é enorme", conta o presidente do Instituto SOS Pantanal Alexandre Bossi."Os animais é que sofrem no meio disso tudo, eu trabalho com monitoramento de onças, a gente tem visto os indivíduos, mas eles estão com o comportamento alterado devido ao estresse. As ondas de calor pioram tudo e fomentam o fogo", completa Helena. Gustavo está acompanhando os trabalhos de combate ao fogo. Segundo ele, a situação que começou no início de outubro ainda segue fora de controle. "Foi uma sequência de fatores. [...] é um problema de gestão, principalmente de prevenção do estado, que não trabalhou com planos de prevenção de incêndio, somados a essas ondas de calor cada vez piores, é uma junção de fatores", declara Gustavo. Já o presidente do SOS Pantanla, Alexandre Bossi, ressalta a importância de planos de manejos interestaduais, não só para o Parque Estadual Encontro das Águas, mas também para todo o Pantanal. Desse modo, as brigadas de incêndio do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul atuariam de forma conjunta em ações emergenciais no bioma. "Ele é um parque estadual, esse fogo não foi controlado pelos bombeiros no Mato Grosso, eles não pediram ajuda para o Prevfogo [Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, de responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)] e esse fogo pulou a fronteira e virou um problema para o Mato Grosso do Sul". "Agora se a gente tivesse um plano para o bioma dos dois estados, isso possivelmente não teria acontecido", acrescenta. Como a previsão do tempo indica chuva só para o fim de semana na região, para Alexandre, a situação deve continuar como está ou pode ficar pior se nada for feito. "O Pantanal é um bioma que vai sofrer incêndios recorrentes quando tiver seca e as secas vão ser mais frequentes por conta das mudanças climáticas, é um fato. Então o que os governos estaduais e federal devem fazer é montar um plano estratégico para o futuro", finaliza ele. |
| Fonte: Da Redação |
| Notícia Postada em 14/11/2023 as 18:26 |