POLÍTICA ▸ DENUNCIA MPE

Ex-secretário Paulo Taques está sob risco de se tornar réu por grampos ilegais contra ex-amante

O procurador-geral de Justiça José Antônio Borges ofereceu denúncia contra o ex-secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques, no caso das interceptações telefônicas ilegais – mais conhecida como Grampolândia Pantaneira. O pedido para que o advogado vire réu foi encaminhado ao juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da 7º Vara Criminal de Cuiabá, nesta segunda (15).

A oferta ocorre após decisão do magistrado, que em junho negou o pedido do próprio Ministério Público Estadual (MPE), para que o inquérito policial contra Paulo Taques e as delegadas Alana Darlene Sousa Cardoso e Alessandra Saturnino de Souza Cozzolino fosse arquivado.

Ao analisar o inquérito, Antônio Borges entendeu que a denúncia deveria ser aditada e aceita pelo juiz apenas em relação a Paulo Taques - responsabilizado por denunciação caluniosa. Já as acusações de improbidade administrativa contra as delegadas devem ser arquivadas.

Conforme a investigação, Alana e Alessandra coordenavam investigações contra o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Mas, em seus pedidos judiciais para quebrar o sigilo telefônico dos criminosos, estavam nomes e apelidos ligados ao advogado Paulo Taques – a ex-amante Tatiane Sangalli Padilha e a amiga dela Caroline Mariano -, além de contatos de jornalistas e adversários políticos, como José Marcondes, conhecido como Muvuca. A prática é de inserir nomes de outras pessoas que nada tem a ver com o caso é conhecida como barriga de aluguel.

O advogado teria pedido que os nomes fossem inseridos em uma investigação de possível ameaça ao ex-governador Pedro Taques (PSDB). As delegadas não fizerem referência da inserção a autoridade judicial (que na época era a juíza Selma Arruda, hoje senadora). A ação teria levado a magistrada ao erro por autorizar o grampo ilegal, de acordo com o juiz.

A denúncia

José Antônio Borges relata que Tatiane Sangalli perdeu o cargo de assistente de gabinete no Governo do Estado e passou a cobrar de Paulo Taques outro cargo, quando o ex-governador Pedro Taques assumiu o Paiaguás. Como o pedido foi negado, os dois terminaram o caso. No entanto, a mulher teria continuado a cobrar dinheiro ao então secretário, para o pagamento da parcela do carro financiado.

Paulo Taques, preocupado com o término de seu relacionamento, já que Tatiane estava magoada e poderia atingi-lo expondo sua intimidade e, ainda, desconfiado que Caroline - amiga da ex-amante e sua secretária na Casa Civil - vazava informações de seu gabinete para o jornalista Muvuca, cujas matérias prejudicavam a imagem do Governo, resolveu, então, monitorar os três.

“Para dar cabo à sua vontade, Paulo Taques utilizou-se do conhecimento que possuía, de que Tatiane tinha amizade com Kelly Arcanjo, filha de João Arcanjo Ribeiro, e inventou uma ‘história cobertura’ de que através de Sangalli e Caroline o “Comendador” obteria informações suficientes para planejar um atentado contra sua vida e do então governador Pedro Taques, seu primo”, diz trecho da denúncia.

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