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10/08/2017 às 00:04:49 Enviar Imprimir
Ministro do STF homologa acordo de delação premiada do ex-governador Silval Barbosa
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, que havia classificado o material da delação de Silval Barbosa (PMDB) como “monstruoso”, decidiu homologar o acordo fechado entre o ex-governador de Mato Grosso e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A informação foi confirmada pelo advogado de Silval, Délio Fortes Lins, à jornalista Camila Bomfim, da TV Globo de Brasília.

O acordo de colaboração de Silval foi assinado há cerca de dois meses com a PGR (Procuradoria-Geral da República). Nele, o ex-governador de Mato Grosso supostamente relata um esquema de pagamento de "mensalinho" para deputados estaduais que atuaram na sua gestão para lhe garantir apoio.

Como evidência, forneceu vídeos dos parlamentares estaduais recebendo dinheiro em espécie. Envolvidos no acordo afirmam que os valores giravam em torno de R$ 80 mil.

Além disso, Silval teria revelado a existência de um esquema para liberar dinheiro de precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais) em troca do apoio de parlamentares de Mato Grosso. O fato, de acordo com o delator, teria acontecido ao fim da gestão de Blairo Maggi (PP) como governador do Estado (2003-2010).

Além de Maggi, os senadores Wellington Fagundes e Cidinho Santos, ambos do PR, também estariam entre os delatados, assim como três deputados federais com mandatos em curso, cujos nomes não foram identificados.

As informações foram reveladas pela reportagem do jornal Folha de S. Paulo, na edição da última sexta-feira (04). O conteúdo da delação, no entanto, permanecem sob sigilo judicial.

Silval governou Mato Grosso de 2010 a 2014. Ele foi preso em 2015 na operação Sodoma, que investiga crimes de fraudes na concessão de incentivos fiscais do Estado. Desde junho, porém, está em prisão domiciliar. No acordo assinado com a PGR, o ex-governador recebeu multa de R$ 80 milhões. Inicialmente os investigadores solicitaram o valor de R$ 150 milhões.
 
Silval Barbosa foi o primeiro ex-governador do país a se tornar delator. O advogado que negociou seu acordo, Délio Lins e Silva, é o mesmo que conduz a negociação da delação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso no Paraná.



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