POLÍTICA

ALMT

08/11/2017 às 13:57:38 Enviar Imprimir
Deputado chama Silval de bandido, mas manda Taques assumir filhos da viúva

O deputado estadual Ondanir Bortolini, o “Nininho” (PSD), fez duras críticas ao governador Pedro Taques (PSDB) em discurso nesta quarta-feira (8) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT). O parlamentar comentava a situação da saúde publica no Estado – que passa por um momento difícil, como a paralisação do atendimento das UTI’s pediátricas na Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis (216 km de Cuiabá), denunciada na última terça-feira (7) pelo vereador da cidade, Thiago Muniz (PPS).

Nininho sugeriu que o governador precisa “tomar medidas concretas”. Ele afirmou ainda que, embora entenda que as investigações sobre a gestão passada devam ocorrer, é necessário “tocar o Estado pra frente”.

“Eu não admito fechar as UTI’s pediátricas de Rondonópolis, que é a única na região que atende 600 mil habitantes, que está salvando vidas todos os dias. Vai ser fechada porque o Governo não vai fazer parte dele [...] Não defendo o Governo anterior de forma alguma, esse malandro tinha que apodrecer na cadeia. Mas não adianta mais se balizar nisso, quem casou com a viúva assume a família e toca o Estado para frente”, disse o deputado estadual.

O deputado estadual também sugeriu a demissão do secretário de Saúde, Luiz Soares. O parlamentar disse que “admira” o trabalho do chefe da pasta, mas que para fazer o “diagnóstico” da situação no Estado não precisa “seis meses ou três anos”. Para ele, nenhum governo se faz apenas com “técnicos” ou só com “políticos”.

“É isso que nós temos que parar e analisar. Tem que tomar medidas concretas. Luiz Soares também já teve tempo. Admiro o trabalho dele, mas para fazer o diagnóstico da situação do Estado não precisa seis meses nem três anos. Esse erro a gente vai pagar muito caro. Se tiver que por político na gestão... O político tem experiências, sabe mexer com o cidadão, não é só técnico não. Ninguém faz gestão só com político e muito menos só com técnico”, disse.

Nininho também criticou a falta de repasses do Estado aos hospitais filantrópicos – como a Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis, a Santa Casa de Cuiabá e outros -, dizendo que se as unidades de saúde, que também atendem gratuitamente a população, não forem subsidiadas, o Estado se tornará o “caos”. “Eu sei que os hospitais filantrópicos são uma destinação diferente dos hospitais regionais. Mas tira esses filantrópicos aí para ver o caos que vai virar a saúde, que já tá o caos”, alertou o parlamentar.

Para o parlamentar, a alegação do Governo de falta de dinheiro não precede. Ele elencou uma série de recursos extras ao longo da atual gestão.

“Quero dizer aqui, Dilmar, que esse governo fez muito. Mas eu quero dizer que esse governo também recebeu no início desse governo R$ 400 milhões de FEX que era da gestão anterior, estornou R$ 80 milhões, no primeiro dia ficou na conta do Estado. E as folhas [de pagamento] estavam em dia. Veio o dinheiro da recuperação de crédito, mais de R$ 600 milhões, veio o recurso da repatriação da dívida, recolheu mais de R$ 500 milhões, recolheu da recuperação da JBS R$ 378 milhões, recolheu da Votorantim R$ 253 milhões... Isso é dinheiro extra”.

VLT  E DECEPÇÃO

Da mesma forma que criticou a falta de decisão sobre a Saúde Pública, “Nininho” disse que o governador demorou em procurar uma solução para a conclusão das obras da Copa do Mundo, especialmente o VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos). “Essas obras da copa, quando assumimos este governo tinha que ter tomado uma decisão. Não podíamos ter ficado com VLT que custa 15, 16 milhões parados sem ter tomado uma decisão”, disse o deputado estadual.

O deputado estadual disse ainda que o projeto do VLT é tocado a “passo lento”, e voltou a criticar o governador por “olhar no retrovisor”. “As coisas acontecem, mas a passo lento. As coisas teriam que ter acontecido no início, no tempo certo. Sem ficar falando que todo mundo é ladrão e aí deixar chegar no estágio que chegou”.

Nininho também disse que é um parlamentar que defendeu o Governo “desde o primeiro dia desse mandato”, e sugeriu estar decepcionado com a gestão Pedro Taques, a quem creditou que seria a “grande esperança” dos mato-grossenses.

“Uma pessoa que defendeu esse Governo, e defendo desde o primeiro dia desse mandato, não aceito mais esse discurso de culpar os governos anteriores, nós tivemos três anos para tomar as atitudes e fazer as mudanças que deveriam ser feitas nesse Estado. O governo Pedro Taques era grande esperança da maioria dos mato-grossenses”.



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