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TJMT tem o maior número de juízes expulsos

Reportagem da Folha de S. Paulo sobre o número de juízes aposentados compulsoriamente por crimes e os milhões recebidos por eles, desde 2009, expõe que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso detém o maior número de expulsos da magistratura pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Dos 58 magistrados punidos com aposentadoria compulsória a partir de 2009, 11 são do TJMT. Juntos, eles já receberam R$ 35 milhões. Conforme a reportagem, cada expulso recebe, em média, o pagamento mensal de R$ 38 mil, que é o equivalente a 27 aposentados do INSS.

Dez dos excluídos da magistratura em MT, foram punidos em conjunto, em fevereiro de 2010, porque o CNJ considerou que eles participaram de uma “operação de socorro” destinada a utilizar verbas do tribunal (R$ 1,5 milhão, em valores da época) para cobrir um rombo nos cofres da entidade maçônica Grande Oriente de Mato Grosso, dirigida pelo então presidente do tribunal. Os juízes foram absolvidos nas ações penais e por improbidade administrativa decorrentes do caso. Agora, aguardam o julgamento de recurso no Supremo Tribunal Federal solicitando o reingresso na magistratura. Entre os dez magistrados está José Tadeu Cury. Até morrer, em julho de 2016, vítima de infecção generalizada, o ex-juiz embolsou R$ 2,7 milhões de aposentadoria. Após essa data, a mulher dele, a advogada Célia Maria Aburad Cury, herdou a pensão – já recebeu cerca de R$ 649,8 mil, corrigidos. Célia Cury responde a ação penal por corrupção ativa, exploração de prestígio e formação de quadrilha. Segundo o Ministério Público Federal, ela chefiava um esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O processo ainda não foi julgado. Procurada, a defesa de Célia Cury informou que confia na absolvição, porque a denúncia oferecida pelo Ministério Público foi “baseada em ilações e conjecturas extraídas de interceptação telefônica manifestamente ilegal”.  

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