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Presidente da Câmara aconselha deputado Estadual não ser candidato em Várzea Grande

O entusiasmo do ex-governador Júlio Campos (DEM) pelo nome do correligionário Eduardo Botelho, atual presidente da Assembleia Legislativa, para disputar a prefeitura de Várzea Grande não é compartilhado por todos os integrantes do partido. Embora ainda não seja o momento para ser falar em nomes de pré-candidatos, Júlio Campos tem concedido várias entrevistas alegando existir um "consenso" sobre o nome de Botelho para suceder a também democrata Lucimar Campos no Paço Couto Magalhães. 

No entanto, o presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Fábio José Tardin, do DEM, afirmou que não adianta as lideranças do partido quererem uma coisa e a população querer outra. Em entrevista ao jornal do Meio Dia da TV Vila Real (canal 10) nesta segunda-feira, o parlamentar lembrou que Eduardo Botelho é morador de Cuiabá.

Para ele, o deputado não é um bom nome para disputar a prefeitura de Várzea Grande. "Acredito que tem que ser um várzea-grandense nato pra poder continuar os avanços que temos que ter", disse Tardin.

Ele argumentou ser partidário e cumpridor das decisões da legenda, mas observa que a vontade da população precisa ser levada em conta. "Não adianta fazermos um complô. O deputado Eduardo Botelho não deixa de ser uma grande liderança pro Estado. É bem lembrado pra senatória, para prefeito de Cuiabá e prefeito de Várzea Grande. Mas eu penso o seguinte: prefeito de Várzea Grande tem que ser uma pessoa que mora em Várzea Grande, que viva Várzea Grande 24 horas. Não é que ele não serve, eu acredito que o domicílio eleitoral dele é em Cuiabá", justificou. 

Nas entrevistas, Júlio Campos tem observado que se for da vontade de Botelho, ele ainda está no prazo de transferir o domicílio eleitoral dele, ou seja, transferir o título para Várzea Grande, mesmo que continue morando na Capital. Quanto a essa possibilidade, Fábio Tardin lembra que na história política da segunda maior cidade mato-grossense já houve situação semelhante, mas o resultado foi um fiasco.

Apesar de o vereador não ter citado nomes, faz lembrar do ex-prefeito Sebastião dos Reis Gonçalves, o Tião da Zaeli (PSD), eleito vice-prefeito ao lado de Murilo Domingos (já falecido), no pleito de 2008 e depois assumiu a função de prefeito com o afastamento de Murilo, que também tinha moradia em Cuiabpa. O resultado foi uma gestão marcada por embates, crise e afastamentos do cargo enquanto a população ficava no meio do fogo cruzado. 

O próprio Júlio Campos também morava em Cuiabá quando disputou a prefeitura de Várzea Grande em 2008 e foi criticado pela oposição. "O que eu penso é o seguinte: morando aqui em Cuiabá e sendo prefeito de Várzea Grande, já provou-se com outros candidatos a prefeito que foram morar em Cuiabá e administrar Várzea Grande que não funcionou. Não é  à toa que Várzea Grande sofreu uns 10, 12 anos o desgaste para a população que só perde. E quem paga o pato é a população", finalizou Tardin.

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