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Mau cheiro e prejuízo no trânsito causam transtornos a motorista na 8 de Abril

As invertenções do Estado ao longo do córrego e na avenida 8 de Abril, em Cuiabá, causam transtornos e acidentes. Quatro ano após o fim do prazo inicial para entrega da obra, que estava programada para a Copa do Mundo de 2014, buracos, mato e serviços truncados são reclamações da circunvizinhança e motoristas que passam pelo local. 

“Meu cunhado caiu com o carro, na semana passada, num buraco aberto no bairro Porto. O trânsito estava intenso e, com as mudanças na pista, ele foi empurrado para o córrego. O resultado foi uma perna fratutura”, diz a doméstica Jonaí Ferreira da Silva, 37, que mora no Jardim Independência, em área em frente ao córrego há oito anos. 

Ela diz que desde a intervenção pelo Estado – antes, a extinta Secopa (secretaria Especial para a Copa do Mundo) e agora a Secid (secretaria estadual de Cidades) – os problemas também apareceram no córrego. A revirada de entulho e lama aumenta o mau-cheiro.  

“Eles reviram o lixo dentro do esgoto e sobe aquele cheiro ruim, o dia todo você precisa aguentar um cheiro horroroso. O pior é que começam a mexer em lugar, param, passam para outro sem terminar o serviço”. 

A técnica de enfermagem desempregada, Dirce Figueredo, 48, mora a alguns metro de uma das rotatórias ao longo da avenida que está cercada por muretas, placas de obras e mato. Sua preocupação é o que considera risco de decomposição de parte do asfalto no trecho fora da pista. 

“Tem um tempo já que toda vez que passa carro por cima da rotatória, na altura do Jardim Independência, faz um barulho estranhado e a manilha de esgoto quase em baixo da rotatória treme. Meu medo é que o chão ceda e provoque acidente”. 

As obras de remodelagem de rotatórias e revitalização do canal do córrego 8 de Abril começaram em 2012, dentro do conjunto de serviços para a Copa, em julho. Mas, em dezembro de 2014, a execução foi suspensa com apenas 64% do projeto executado. 

A previsão é que fossem feitas obras de recuperação do canal do córrego, a implantação do coletor tronco, calçadas e urbanização ao longo de 3,5 quilômetros. A retomada ocorreu em dezembro de 2016, mas até agora pouca coisa avançou nos serviços.

A Secid afirma que a nova data para entrega é julho deste ano. Mas hoje, a empresa Engeglobal, responsável pelo serviço, está em crise financeira. Nestes quatro anos de lentidão e suspensão da obra, o Estado fez aditivo de preço em R$ 6,8 milhões. O projeto inicial estava orçado em R$ 19,8 milhões, que foram elevados para R$ 26,7 milhões. O motivo para a correção foi a queda de parte da lateral do córrego, em 2014, onde a Engeglobal já havia executado serviço. 

Ainda conforme a Secid, parte da demora na retomada das obras está ligada a análise sobre o fundo do canal por onde passa o córrego e sobre patologias de engenharia encontradas. A empresa questiona a responsabilidade pelos serviços. 

Multas

A Secid cobra mais de R$ 914 mil da Engeglobal em aplicação de multa por descumprimento de prazos contratuais. Um processo, no valor de R$ 72,4 mil já foi concluído e aplicado à empresa. No entanto, não há informações sobre o pagamento da dívida. 

A quantia mais alta de cobrança está em fase de processamento com intervenção de recursos pela Engeglobal. O Estado quer ser ressarcido em R$ 842,2 mil por prejuízos causados pela demora na execução do projeto. No entanto, a Secid não quis se manifestar sobre o quadro atual dos serviços.

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